Publicado por: luizerbes | março 13, 2012

Roberto DaMatta: futebol, igualdade e democracia

Em sua palestra na CIC de Caxias do Sul, o antropólogo Roberto DaMatta defendeu a necessidade de regras iguais para todos para o bom funcionamento do modelo capitalista. Usou, como metáfora na sua exposição, o futebol, conforme texto divulgado pela entidade (leia aqui). Uma frase ilustra o ponto de vista de DaMatta:

– As regras são fundamentais porque são a base desse igualitarismo quando uma partida é iniciada, ou quando uma empresa nova entra no mercado para competir com outras mais antigas. A igualdade exige que os jogadores limitem essa disputa. Há um ponto mínimo e outro máximo, e essa limitação é um importante desafio. Eu tenho um adversário, mas ele não é meu inimigo. Seu competidor não pode ser liquidado, pois é ele que legitima a sua qualidade, que valoriza o que você faz; matar o adversário é optar pelo totalitarismo –  afirmou.

Não há como não concordar com o antropólogo neste aspecto: a igualdade, para um bom funcionamento de um modelo democrático, é essencial. Todos, sob essa ótica, são iguais perante a lei; todos têm os mesmos direitos e os mesmos deveres. Isso vale, sob essa perspectiva, para o futebol, para os negócios, para o acesso aos órgãos públicos.

Só que a essa é não uma realidade. As regras no futebol podem ser iguais para equipes grandes e pequenas, mas a aplicação delas não é nem de longe semelhante: em jogos entre equipes do Interior gaúcho contra a dupla Gre-Nal, os juízes erram muito mais contra os pequenos; na distribuição dos recursos de televisão, os dois grandes da Capital abocanham milhões, e os demais, valores bem menores.

Nos negócios, isso se repete. A legislação pode ser a mesma, mas a competição entre corporações e empresas pequenas está longe de ser igual. Se as primeiras têm acesso facil a recursos do BNDES – um juro subsidiado para o andar de cima, usando um termo de Élio Gaspary -, os pequenos precisam recorrer aos bancos da esquina e pagar bem mais caro.

Para alcançar uma sociedade mais igualitária, regras iguais são apenas uma parte do processo. É preciso condições iguais a todos e um sistema que, em beneficia apenas uma pequena parcela da sociedade, leve a igualdade maior. Além de políticas de inclusão, maior regulamentação do sistema financeiro, incentivos à produção, etc..

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Responses

  1. Luiz,

    muito boa a comparacao. Só que hoje Só não pega dinheiro do Bndes quem não quer. Amanhã vou assinar um contrato de Finame/Bndes no valor de apenas trinta mil reais, umma migalha para o mundo corporativo. Ou seja, o empresário tem que saber onde ir buscar o recurso.

    já com relação às arbitragens no Gauchão, aí acho que não tem jeito, hehehe.

    Ps: acho que tu quis dizer ‘nao há como não concordar’ e que essa ‘nao é uma realidade’, né?

  2. Valeu Cristiano, fiz a correção; publiquei na pressa e passei batido. Abraços


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