Publicado por: luizerbes | fevereiro 25, 2012

Campanha para colocar capangas no poder

Depois de terem colocado capangas no poder na Líbia, chegou a vez de o Ocidente fazer o mesmo na Síria. Não diretamente, mas por intermediários: a Arábia Saudita começou a defender abertamente armar a oposição síria, o que significa  que já o está fazendo. E dificilmente faria isso sem o consentimento dos Estados Unidos e de outros aliados ocidentais.

A situação na Líbia é bem conhecida, apesar da mídia ignorar o país deste a queda do ditador Muamar Gadaffi. Conforme a Anistia Internacional, as milícias estão torturando e matando (veja matéria aqui).  Na semana passada, uma apresentadora de TV dos tempos de Gadaffi foi morta na prisão, mas a notícia foi solenemente ignorada pelos impresos (leia aqui). Nesta semana, dois jornalistas ingleses que trabalham para uma TV iraniana foram presos (veja aqui); talvez saia uma nota na mídia tupuninquim.

Na Síria, quando algo similar ocorre, a mídia abre amplo espaço. Nesta semana, até o Pioneiro, que já enclausurou a sua editoria de Mundo ao noticiário “geral” e a reabre ocasionalmente, deu com destaque a notícia de dois jornalistas mortos no país que se transformou na bola da vez do jogo ocidental.

Isso não indica que a situação na Síria não seja grave. Há um embate entre o regime do presidente Assad – de um tempos para cá, definido como ditador na mídia -, que busca se manter no poder, e a oposição, apoiada por regimes arábes longe de serem democráticos (como a Arábia Saudita) e pelos Estados Unidos (que, inclusive, financiaram a oposição; leia aqui). Tem sobrado para os civis, já que Assad não é santo, mas nem a oposição, apoiada inclusive pela Al-Qaeda (leia aqui), o é.

Nesse confronto, a mídia cumpre um papel essencial, mas cabe saber qual é: o de informar ou desinformar? Como é uma situação complicada, a verdade, por vezes, é a primeira a ser atingida. Diariamente, lê-se notícias de dezenas de mortos, mas é improvável termos certeza de que aquilo de fato ocorreu. Exemplo: um dia após a Rússia vetar a resolução da ONU, pedindo a saída de Assad, as agências divulgaram 200 morreram na repressão; essa informação não foi confirmada até hoje.

Aquele retrato branco e preto, do bom contra o mau, não se aplica à questão síria. A situação é bem mais complexa, e envolve interesses dos países árabes, dos Estados Unidos, Europa, Rússia e China.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: