Publicado por: luizerbes | fevereiro 23, 2012

O ocaso do trem – no Brasil e na Argentina

A indústria do carro se impôs há décadas e acabou com um meio de transporte que é, ao mesmo tempo, charmoso e seguro: o trem.

Escrevo isso um dia após um gravíssimo acidente de trem em Buenos Aires, com 49 mortes e mais de 500 feridos, o que pode parecer, para alguns desavisados, que o trem não é tão seguro assim. Ainda assim, o trem é infinitamente mais seguro que o transporte rodoviário.

O trem, todavia, transformou-se no transporte do passado em alguns lugares do mundo. Segue vivo na Europa e na Ásia (essencialmente no Japão e na China, hoje responsável pelos trens mais velozes do mundo). Mas aqui a malha ferroviária sucumbiu, foi substituída por rodovias que cortam, precariamente (e com muitos buracos), o Brasil de Norte a Sul, Leste a Oeste.

Resta apenas a memória do trem, lembranças que se esvaem com o tempo e a morte daqueles que andaram nele. Em Caxias do Sul, o trem chegou em 1910, ligando a cidade a Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Salvador do Sul, Montenegro (de lá a Santa Maria e região da Fronteira) e Porto Alegre. No início, trouxe desenvolvimento, trazendo e levando mercadorias, e permitia às pessoas um deslocamento rápido e seguro até a capital. Depois vieram as estradas asfaltadas – primeiro a BR-116, nos anos 1950, e depois a RS-122, na década de 1970 – e o trem foi relegado a um plano secundário, tanto para transporte de cargas como de passageiros. Enfim, acabou. Hoje, sobram alguns trilhos, mas em alguns trechos da linha encontram-se casas, mato, etc…

O processo se repetiu em todo o Estado e no Brasil. Quando fui estudar em Porto Alegre, nos anos 1980, ainda havia um trem fazendo o trajeto Porto Alegre-Santa Maria, mas, contavam, a demorava horas a mais do que de ônibus, os vagões estavam caindo aos pedaços e quase ninguém usava o serviço.

Perdeu-se, com isso, um patrimônio inestimável para apostar no transporte rodoviário – com construções de rodovias, que começaram já nos anos 30 e 40 se intensificaram a partir da década de 60, com os militares. Resultado: hoje o Brasil tem um dos piores serviços de transporte de passageiros do mundo, a ponto de quase todos viajarem de carros. O efeito colateral dessa política está nas estatísticas dos feriados.

***

Na Argentina, ocorreu quase a mesma coisa. O governo de lá também priorizou estradas, embora o trem ainda sobreviva. Mas não é prioridade (como revela esse texto do IG) e, com isso, o sistema vai envelhecendo, até se tornar falível. Sem uma reversão dessa política, um dia o trem também vai acabar no país vizinho.

Uma pena!

 

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