Publicado por: luizerbes | janeiro 7, 2012

A dupla Gre-Nal e um estado dividido em dois

Há um Gre-Nal ocorrendo na Serra Gaúcha. Disputado no formato de pré-temporada. O Grêmio foi para Bento Gonçalves realizar os treinos de preparação para o Gauchão e a Copa do Brasil; o Inter se dirigiu a Gramado, para os ajustes visando ao Gauchão e a Copa Libertadores. Ambos mobilizam sem marketing para atrair seus torcedores aos treinos e jogos-treinos e garantir dividendos midiáticos.

Esse é um retrato do Rio Grande do Sul, um espectro formado por dois opostos. Aqui a filosofia tucana – de subir e permanecer no muro – não cria vínculos fecundos; dissipa-se sempre. Há uma polarização histórica, que encontra seus melhores exemplos na política e no futebol.

A polarização é histórica, data do século XIX. Na Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1895,  a então província se dividiu entre os farrapos e os defensores do regime imperial. A celebração da chamada Guerra dos Farrapos, que culmina no 20 de setembro, parece indicar uma província unida no confronto com o Império, mas a história mostra que os ideais separatistas encontraram pouco eco na Capital, por exemplo.

Mesmo após o fim do conflito, essa divisão permaneceu. É célebre, nas últimas décadas do século XIX, a disputa entre os defensores da implantação de uma República e do Império. Na Guerra Federalista, temos o confronto entre maragatos e chimangos. Mesmo no século XX, essa divisão continuou. Hoje segue presente na política, entre direita (PMDB/PP/PSDB) e esquerda (PT/PCdoB).

No futebol, essa divisão encontra eco desde as primeiras décadas do século XX. Inter, o clube vermelho, e Grêmio, o azul, refletem essa polarização que aceita apenas dois grandes personagens. Não há terceira via aqui, apesar de ameaças passageiras (como a dupla Ca-Ju, no anos 1990 e começo da década passada) que se desvanecem com o passar dos tempos.

O Rio Grande do Sul é um estado de opostos, sem terceira via. É vermelho ou azul, chimango ou maragato, direita ou esquerda, etc..

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Responses

  1. A torcida dos clubes cresce conforme os resultados dos times. Em Caxias, há poucos anos, um clube local registrou uma torcida maior que a dupla dos portoalegrenses. E, conhecendo pessoalmente alguns dirigentes de times de várias partes do interior, sabemos que não é só por méritos que a referida dupla mantém em seu poder os títulos gaúchos e obriga o Rio Grande a manter apenas dois times na série A, enquanto SP chega a ter 5. O RS é um dos estados onde a corrupção no futebol atinge os píncaros. Em contrapartida, os clubes dos portoalegrenses nada oferecem ao público do interior. Experimente buscar o cônsul de seu clube para tentar conseguir um ingresso (pago) em jogo de decisão e saberá quanto o “seu” time gosta de você. A bipolarização das torcidas apenas é um reflexo disso tudo e da falta de consciência de torcedores que poderiam ver o seu verdadeiro time, aquele de sua cidade, ocupando uma vaga em certames mais importantes. DUPLA GRENAL, O CÂNCER DO ESPORTE GAÚCHO.

  2. Olá Ronald,
    Creio que vc tem razão neste ponto, em que a realidade do esporte é resultado essencialmente dessa estrutura, que favorece a dupla Gre-Nal e prejudica os demais clubes. Basta ver a verba da televisão no Gauchão: muito para a dupla da Capital e pouco para os demais.
    Abração


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