Publicado por: luizerbes | dezembro 25, 2011

Neste Natal, um conto de Natal

No mundo (…)-moderno (não sei mais se é pós, hiper ou apenas moderno), as coisas, às vezes, funcionam assim. Alguém que não conheço, mas sigo o Twitter, “retwittou” (que palavrão!) para seus seguidores (a maioria, provavelmente, desconhecidos) um link condensado de um conto do Natal de Fiódor M. Dostoievski, “A árvore de Natal da casa de Cristo”. Eu perdi o link, mas o Google tem sua razão de ser, e segue abaixo um trecho do conto.

***

A árvore de Natal na casa de Cristo

 HAVIA num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado nnum canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de o ver se evolar. Mas gostaria bem de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, um saco sob a cabeça a guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único  tapeceiro que tinha ficado, cozinhava a bebedeira há dois dias: esse nem mesmo tinha esperado pela festa, No outro canto do quarto gemia uma velha octogenária, reumática, que tinha sido outrora babá, e que morria agora sozinha, soltando suspiros, queixas e imprecações contra o garoto, de maneira que ele tinha medo de se aproximar da velha. No corredor, ele tinha encontrado alguma coisa para beber, mas nem a menor migalha, e mais de dez vezes já tinha ido para junto da mãe para despertá-la.  Por fim, a obscuridade lhe causou uma espéciede angústia: há muito tempo   tinha caído a noite e ninguém acendia o fogo. Tendo apalapado o rosto de sua mãe, admirou-se muito: ela não se mexia mais e estava tão fria como as paredes. “Faz muito frio aqui”, refletia ele, com a mão pousada inconscientemente no ombro da morta; depois, ao cabo de um instante, soprou os dedos para os esquentar, pegou o seu gorrinho  abandonado no leito, e, sem fazer ruído, saiu do cômodo, tateando. Por vontade dele, teria saído mais cedo, se não tivesse medo de encontrar, no alto da escada, um canzarrão que latira o dia todo, na soleira das casas vizinhas. Mas o cão não se encontrava ali e já o menino ganhava a rua.

(Continue lendo aqui).

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Um bom Natal aos seguidores deste blog.

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