Publicado por: luizerbes | novembro 15, 2011

A barrigada do prefeito, e as barrigadas da mídia

Barrigada é um termo feio; aspecto pior, contudo, tem o seu sentido jornalístico, o de um erro grosseiro ou uma publicação de um fato que se revela completamente falso. Foi o protagonizou José Fortunati, prefeito de Porto Alegre. Ao saber da morte de um Plauto, pensou que era o flautista Plauto Cruz e lamentou sua perda no Twitter. A mídia fez matéria, se divertiu. Fortunati se desculpou do erro.

Mas, numa escala de barrigadas, a do prefeito é pequena comparada a duas outras, protagonizadas pela mídia da Capital. A primeira eu ouvi falar e virou exemplo na faculdade de Jornalismo;  a segunda, acompanhei à distância, como leitor.

A primeira ocorreu, desconfio, nos final dos anos 60 ou começo dos anos 70. Durante um Gre-Nal, a rádio Guaíba recebeu, por telefone, a informação da morte do arcebispo Dom Vicente Scherer. A emissora tentou confirmar a informação, ligou para a Cúria Metropolitana sem sucesso, e resolveu interromper a transmissão do clássico para dar boletim da morte. Mais tarde, o próprio arcebispo telefonou à rádio e deu cabo do boato. Mas a barrigada tornou-se folclórica no rádio gaúcho.

A segunda ocorreu nos anos 1990 e foi protagonizada pela Zero Hora. A confusão começou no Olímpico, quando, durante um jogo, o sistema de som anunciou a morte de César, sem explicar qual. O repórter de Zero Hora pensou que se tratava de César, o ex-jogador gremista, herói da conquista da Libertadores de 1983 (é isso?), e escreveu um obituário de uma página. O editor aprovou e o texto circulou em todo o Rio Grande do Sul. No dia seguinte, o César, então radicado no interior de São Paulo, telefonou e a Zero Hora resolveu publicar texto sobre a barrigada.

Barrigada é feia e torna o veículo dono de chacota. Mas a notícia, em si, não causa grandes estragos (a não ser para o repórter). Como leitor, parece divertido. Isso prova também que a mentira, quando 100% inverdade, causa pouquíssimos problemas; o problema são aqueles mentiras, ou meia-mentiras, que saem diariamente na nossa mídia com cara de verdadeiras.

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Responses

  1. Hahahaha. Você acabou de inaugurar o Sistema de Morte do Olimpico.

  2. Corrigido, caro Ronald. Ato Falho. Abraços


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