Publicado por: luizerbes | novembro 3, 2011

No final das contas, é democracia ou a ditadura do mercado?

A democracia liberal sempre foi um valor cantado pelo Ocidente, com um dos pilares da sociedade moderna. Em função desse valor simbólico, o Ocidente já protagonizou várias guerras contra os “bárbaros”, especialmente contra aqueles com valiosos recursos naturais.

Mas essa democracia é, sob vários aspectos, um engodo. Por que você é chamado para votar, mas apenas em “A” ou “B”, e não para decidir questões que lhe interessam diretamente. Você só é chamado para optar, muitas vezes entre o “seis” e o “meia-dúzia” e volta e meia é enganado – lembro do Obama agora, por que será?

O caso grego evidencia isso. Na segunda-feira, o primeiro-ministro grego anunciou um plebiscito para decidir os rumos do país e de uma nova ajuda da Europa, com suas infindáveis condições. O mercado (as bolsas de valores, os grandes bancos, os bancos centrais, o FMI) chiou, o primeiro-ministro foi chamado para um pito pelos riquinhos europeus. Nesta quinta, o governo grego cedeu e não vai realizar o plebiscito.

Na disputa entre democracia x mercado, é o mercado quem dá as cartas. E as decisões importantes, aquelas que realmente são cruciais, nunca são decididas nas urnas. São tomadas por um reduzido grupo que busca, acima de tudo, defender os tais interesses do mercado.

Por isso, a democracia liberal vigente no mundo atual é um engodo, uma vez que o povo só entra para escolher entre candidatos manipuláveis pelo mercado e para pagar a conta.

***

Isso ocorre também por aqui. Na eleição do ano passado, a população do Acre foi às urnas para decidir pelo retorno ou não do horário antigo, aquele com duas horas a menos em relação à Brasília. Os acreanos votaram a favor da mudança e do fim daquele lei, de 2008, que definia o mesmo horário em relação à Capital Federal. Com o resultado, bastava a homologação do Senado.

O que ocorreu? A Rede Globo, contrária à mudança, pressionou e José Sarney, o presidente do Senado, amarelou na hora de assinar a homologação. Com isso, ficou tudo como antes. Agora, corre um projeto-de-lei que visa garantir a mudança, desejada pelos acreanos e condenada pela Globo.

Ou seja, o voto no Brasil vale menos que o “plim-plim”. E se for contra a firma do “plim-plim”, o voto é anulado.

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Responses

  1. Muito, muito bom, Luiz!
    Parabéns!

  2. Valeu André.
    Abraços


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