Publicado por: luizerbes | outubro 25, 2011

Quando a mídia esquece o seu papel

Entre os inúmeros textos jornalísticos com cara de opinativos  no site da Folha (www.folha.com), há um artigo interessante assinado por Sylvia Colombo. Com o título “E agora, Clarín?”, a autora comenta a vitória esmagadora de Cristina Fernandez Kirchner nas eleições presidenciais de domingo, a nova lei dos meios de comunicação, aprovada há alguns anos, e o papel do jornal Clarín, que pertence ao maior grupo de mídia da Argentina.

Sylvia Colombo se questiona qual será o comportamento do jornal nos próximos anos. Ela afirma: “A questão não é menor porque, em sua fúria para defender-se, o jornal cometeu excessos.” Um exemplo:  “se olharmos a cobertura feita pelo “Clarín” antes das votações primárias, em agosto, ficamos com a sensação de que a eleição de Cristina estava ameaçada, que poderia haver um segundo turno ou até uma virada de mesa. Hoje sabemos que nenhuma dessas hipóteses esteve nem perto de se concretizar.”

Além disso, afirma o texto, “o jornal tem deixado sistematicamente de noticiar coisas positivas do governo Cristina, e ignorado iniciativas relevantes ou de utilidade pública”.  Sylvia Colombo aponta um levantamento das capas negativas do diário, feita pela jornal “Tiempo Argentino”, que resultou na manchete: “A presidente que ganhou de 347 capas do Clarín”.

No final, a autora argumenta: “É preocupante que um diário dessa estatura esteja direcionando suas armas para uma guerra política e não se concentrando tão somente no jornalismo. Como ficará sua credibilidade futura, se amanhã muda o governo do país? Voltarão a fazer um jornalismo ‘normal’?”

***

Dúvida minha: o texto de Sylvia Colombo não poderia ser adaptado ao Brasil, onde alguns dos principais grupos de comunicação estão em uma campanha política contra o governo em vez de se centrarem em fazer bom jornalismo? O texto da autora não se  adpata, inclusive, a própria Folha, que tem forçado nas manchetes, sem falar no Estadão, Globo, Zero Hora e Veja?

Aliás, se você olhar as manchetes da Folha no mês de setembro de 2010 – o mês anterior ao 1º turno das eleições presidenciais – vai encontrar apenas capas negativas sobre o governo federal. Do início ao final do mês. Como agora, quando o jornal elegeu Orlando Silva com saco de pancadas, ignorando fatos e publicando versões sem investigar.

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