Publicado por: luizerbes | março 31, 2011

Ditadura militar e o poder da Rede Globo

Quando os militares deram o golpe militar, em 31 de março de 1964, sequer havia a TV Globo. A concessão de operar um canal de televisão Roberto Marinho tinha desde 1957, obtida no governo de Juscelino Kubitschek e utilizada a partir de 1962. Mas a TV Globo surgiu, efetiva e oficialmente, um ano após o golpe: em 26 de abril de 1965.

Seu surgimento esteve envolto em controvérsias. Para estruturar a TV, Roberto Marinho contou com dinheiro (US$ 5 milhões, um dinheirão à época) e recursos técnicos da Time-Life. O acordo com o grupo  norte-americano foi alvo de uma CPI, que deu um prazo para a Globo regularizar a situação em 90 dias. Marinho não gostou da decisão, acionou o presidente Castelo Branco, que suspendeu a CPI e permitiu que a legislação, que vetava a participação estrangeira em concessões de TV e rádio, continuasse a ser ignorada.

O acordo e as boas relações com o governo militar deram à TV Globo vantagem técnica sobre as concorrentes e uma estrutura que rapidamente a transformou no principal canal brasileiro. Em 1969, surgiu o Jornal Nacional, que transformou-se no principal telejornal do país e, em vários momentos, fez o papel de porta-voz da ditadura. Aliado ao sucesso das telenovelas, a Globo tornou-se dona da audiência no país – em alguns horários, chegava a ter mais de 90%.

Com o seu poder, a Globo interferiu politicamente no país. Ignorou, por um longo período, a campanha das diretas já (anos de 1983 e 1984), foi acusada de tentar fraudar, junto com os militares, a eleição que elegeu Leonel Brizola como governador do Rio, e fez uma edição completamente parcial do debate entre Collor e Lula, às vésperas da eleição presidencial de 1989, beneficiando o primeiro.

Ainda hoje, o poder da Globo é inquestionável. Ela já não ostenta mais os mesmos 90% de audiência do passado, mas seu sinal chega à maioria das casas brasileiras e segue dominante, bem à frente da Record, SBT e Bandeirantes. Graças, diga-se, a vantagem conquistada no período a tortura corria solta no Brasil.

***

O poder da TV Globo fez surgir, em pontos do país, grupos associados à emissora que também se tornaram poderosos em termos regionais. Exemplos: RBS, no Sul, e os grupos das famílias Magalhães (Bahia) e Sarney (Maranhão).

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