Publicado por: luizerbes | março 5, 2011

O que deu errado na Líbia?

Na Tunísia e no Egito, os manifestantes triunfaram e derrubaram ditaduras de décadas. Mas, na Líbia, o que começou como um movimento pacífico transformou-se, principalmente em função da reação do ditador Muammar Gaddafi, em um confronto entre os apoiam o tirano e entre os querem algo diferente para o país. Há jornais que já utilizam a denominação  “guerra civil” para descrever o ocorre na Líbia.

O que deu errado na revolta desse país do Norte da África? O que houve de diferente em relação à Tunísia e Egito? Se todos são ditaduras, por que o desfecho está sendo tão diferente?

Parece claro que a Líbia tem peculiaridades. Gaddafi, primeiro considerado uma ameaça pelo Ocidente e por Israel, viveu um longo período isolado. O embargo econômico terminou em 2004, permitindo que o ditador atraísse investimentos externos – de companhias norte-americanas, europeias e até do Brasil – e fosse às compras, adquirindo, entre outras coisas, armamento para seu exército.

Essa aproximação, contudo, deu pouco poder ao Ocidente de influenciar o ditador. Isolado por vários anos e vítima de um bombardeio em 1986 – em que os americanos despejaram 60 toneladas de bombas sobre pontos estratégicos, matando uma filha adotiva e ferindo dois filhos do ditador (leia texto aqui) -, Gaddafi nunca confiou nos “novos amigos”. Aproximou-se do Ocidente, mas talvez questionando: será que é só o petróleo que querem mesmo?

Quando a sua queda parecia iminente, o Ocidente, até então em cima do muro, virou-lhe às costas, achando que bastava um empurrão para desalojá-lo do poder. Aprovaram um resolução contra ele, congelaram seus bens e o ameaçaram levá-lo a julgamento, por crimes contra a humanidade. Resultado: Gaddafi se entrincheirou-se, passou a atacar os rebeldes e está levando o país a uma guerra civil, com desfecho imprevisível.

Ao virarem às costas para Gaddafi, o Ocidente perdeu a via diplomática. Eles tinham bons contatos, como o filho do próprio Gaddafi (estudou na London School of Economics), para pressionar o ditador. Mas talvez impulsionados pela estratégia de Hillary Clinton, pularam essa etapa e deram ao ditador um discurso para ir à luta.

A própria Liga Árabe mostrou-se impotente neste processo. Gaddafi nunca foi um dos seus filhos queridos – pelo contrário, ele tido como uma ameaça por vários dos seus parceiros de ditadura -, tornando mais difícil uma saída negociável. Além do mais, vários ditadores da região estavam também enfrentando protestos.

Agora, o futuro da Líbia será decidido nas armas.

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