Publicado por: luizerbes | março 1, 2011

A Líbia, o Ocidente e Chávez

Há uma série de interesses em jogo na crise da Líbia que vai muito além da busca dos líbios por mais liberdade e pelo fim da ditadura de Muammar Gaddafi. Há interesses, diria Brizola. Interesses demais que levam vários países a tentar interferir no processo, para manter intactos certos privilégios.

Gaddafi, como qualquer tirano, foi seduzido pelo poder e insiste em ficar, mesmo com a oposição da maioria dos líbios. Com isso, ameaça está levando o país a um confronto civil – por enquanto, de proporções ainda pequenas, mas como saber como isso vai acabar?

O Ocidente – liderados pelos Estados Unidos, em especial – busca se aliar à oposição, talvez para manter intocáveis os seus interesses ou para, pelo menos, manter certa influência após a queda de Gaddafi.

Até a opção militar está na mesa de Obama, o que pode representar um erro grasso (leia artigo aqui). Será que ele não se lembra que foi contra a invasão do Iraque, ou foi um mero jogo de cena? Será que ele não conhece o desastre que foi a invasão, pelo menos para os iraquianos? Será que ele sabe que os iraquianos também estão protestando?

Ao passar da demora na reação para a opção militar, o Ocidente tirou da lista de alternativas a solução negociada para o conflito, com Gaddafi saindo e abrindo espaço para eleições livres nos próximos meses. O Ocidente não busca criar o caos para justificar sua presença no futuro, não para proteger líbios mas para garantir seus interesses?

Hugo Chávez entra na história revelando um equívoco histórico das esquerdas: o de se aliar a qualquer um que se opõe ao inimigo maior, os Estados Unidos. Chávez erra ao defender Gaddafi. Deveria forçar o amigo a renunciar, mesmo que isso signifique encontrar algum país para dar abrigo ao tirano. Soluções negociadas, embora injustas, são necessárias e, às vezes, poupam muitas vidas.

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Responses

  1. O Obama sequer pensar em opção militar (e se não me engano ele já tem navios atracados lá por perto) é inaceitável. O pior é o que eles vão usar como justificativa: não deixar civis morrerem. Aham, e depois ficam por lá uma década garantindo seu petróleo sabe-se lá por que preço…
    Nada de “anti-imperialismo-estadunidense” aqui. Sou apenas contra política escrota.
    Bem colocado, Luiz, o “equívoco histórico das esquerdas”!
    Abrazz!


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