Publicado por: luizerbes | setembro 2, 2009

A permanência no poder

Quem está no poder, quer permanecer lá a todo o custo. É o comportamento generalizado, seja na Europa, África, Ásia ou América do Sul. Para evitar exageros, em muitos lugares há regras específicas, que não costumam ser quebradas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o sujeito só pode se reeleger uma vez à presidência; na Europa, onde a maioria dos países é parlamentarista, a reeleição costuma ser ilimitada, mas o alto grau de alfabetização e fatores culturais tornam bem difícil alguém se perpetuar no poder – um dia, lá, o governante sempre dá adeus ao poder.

Na América Latina, é um pouco diferente. Por aqui, temos fatores bem específicos, que levam a constantes mudanças nas regras do jogo. Primeiro, contamos com elites, econômicas e políticas, que adoram se perpetuar no poder; segundo, temos um passado de quebra de legalidades que data não sei de quando e teve o mais novo capítulo – e longe de ser o último, desconfio – em Honduras há alguns meses; terceiro, temos políticos fortes, centralizadores e manda-chuvas, e partidos frágeis.

As quebras da regra do jogo fazem parte da história da América Latina. O Brasil não tinha reeleição, mas um senhor que se julgava rei mudou a regra; a Venezuela colocou Chávez no poder, que adorou e não quer largar; seus amigos no comando da Bolívia e Equador também já conseguiram uma reeleição; Uribe, o coronel da Colômbia, ganhou a chance de concorrer a um terceiro mandato, com o voto de vários políticos acusados de terem vendidos seus votos no passado.

Somos um continente com muitas eleições, mas será que temos regimes democráticos? Será que não contamos, em muitos casos, com fantoches à serviço da elite para que ela continue vivendo no luxo, enquanto a maioria trava batalhas diárias para viver (ou, em muitos casos, sobreviver)? Outros não são populistas ultrapassados?

A América Latina ainda precisa construir uma democracia justa, que reduza as enormes e absurdas desigualdades e permita a construção de sociedades plurais e modernas. Envoltos em uma estrutura autoritária (a centralização do poder político, a concepção das empresas, o concentração da mídia em poucos grupos que defendem interesses similares),  temos uma montanha a superar, mas o nosso fôlego é curto.

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