Fotos de flores

Outubro 12, 2009

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O drama argentino

Outubro 11, 2009

A Argentina esteve na mídia brasileira por duas razões distinta nestes últimos dias. Em um dos casos, é um tema relevante, que mereceria discussão por essas bandas também; o outro não é tão importante assim, embora para muitas pessoas seja considerado muito, mas muito mais importante.

Tema 1: a aprovação da nova lei de imprensa pela presidente Cristina Kirchner.

Tornada lei, a legislação visa regulamentar o setor de mídia, mas os nossos jornais optaram pelo termo “controlar” e afirmam que foi criada para acabar com o grupo Clarin, o mais poderoso e forte da área no país vizinho.

A lei foi apresentada como ruim, mas é vital termos uma regulamentação da mídia, para evitar o monopólio. Nossa constituição diz isso claramente, mas alguns grupos dominam a informação no país. Também precisamos de uma lei para regulamentar a mídia, mesmo que a mídia esperneie e diga que é meramente para “controlar”.

Mas todos sabemos que poder em excesso é ruim.

Tema 2: o futebol.

A seleção argentina passou, tal como um tango, pelo Peru. Venceu por 2 a 0, mas foi um drama. O time treinado por Maradona – um jogador brilhante e um técnico medíocre – fez 1 a 0, recuou e viu o céu responder com um temporal sobre Buenos Aires – as câmeras de transmissão tremiam e mal dava para ver o jogo. Aos 45, o Peru empatou. Aos 47, Palermo fez 2 a 1 para a Argentina. Na saída de bola do meio-campo, o Peru ainda medeu uma bola na trave.

Quase que a Argentina deu adeus à Copa do Mundo de 2010. Mas ainda não está lá. Precisa de uma vitória sobre o Uruguai, em Montevidéu, para assegurar a vaga; se empatar, estará, pelo menos, na repescagem; se perder, torce para o Equador não vencer o Chile, fora de casa.

O sofrimento continua.


Adeus a Mercedes Sosa

Outubro 4, 2009

Mercedes Sosa se foi, mas a sua obra fica. A cantora, um dos ícones na luta contra a ditudura na América do Sul, morreu aos 74 anos, como mostra esse texto da Folha Online.

Abaixo a música “Solo le Pido a Dios”.


A vitória do Rio, bairrismo e ‘trem da alegria’

Outubro 3, 2009

O Rio de Janeiro ganhou a disputa e vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Houve festa no Rio e em outros lugares, mas na maior parte do país a escolha foi acompanhada com desdém e um comentário: vai ser um enorme trem da alegria.

O desdém é bairrista. É ótimo para o Brasil, como país e força emergente do planeta e pelos reflexos que isso pode trazer para economia nacional. Sem contar, é claro, os benefícios para o esporte, que não vão se restringir ao Rio de Janeiro.

Quanto ao ‘trem da alegria’, tudo indica para uma farra com dinheiro público. Foi assim no Pan-Americano, mas ninguém, nem mídia, políticos ou o judiciário, fizeram qualquer questão de investigar; todos se calaram. Agora, a tendência é que a roubalheira vá ser maior – assim como tende a ser na Copa do Mundo de 2014.

Mas viva a escolha, que deve ser creditada em grande parte ao carisma do presidente Lula, embora a Globo jure que foi por causa de Pelé e João Havelange, esse expoente legítimo da ditadura que a Globo apoiou do início, ao fim, até hoje e, pelo visto, para o todo e sempre.


Milhões contra a saúde pública

Outubro 1, 2009

O número está no The Guardian, jornal inglês, desta sexta-feira. A indústria farmacêutica, planos de saúde (seguros de saúde, como é chamado por lá) e hospitais já gastaram US$ 380 milhões para barrar o plano de saúde pública proposto por Barack Obama.

Esse dinheiro foi para campanhas publicitárias, para influenciar a população, e para… os políticos, para garantir o voto contrário (US$ 1,5 milhão foi para o senador responsável para relatar a nova lei). Diz o jornal que há seis lobistas registados atuando contra o plano de Obama para cada deputado e senador no Congresso norte-americano.

Só para trocar em miúdos, US$ 380 milhões equivale a quase R$ 700 milhões.

A matéria, em inglês, pode ser lida aqui.

***

Desse jeito, o SUS do Obama vai morrer na praia. O SUS, diga-se, pode não ser a melhor a solução, mas é muito melhor do que nada.


A Veja defende a ditadura

Setembro 28, 2009

A revista Veja, ao que parece, começou uma cruzada contra a democracia. Alguma dúvida, acesse www.veja.com.br e leia, por exemplo, Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, o blog que trata da situação em Honduras.

Na leitura, se apreende uma coisa: viva o golpe.


Suicídio no capitalismo

Setembro 28, 2009

Essa notícia saiu no R7, novo portal da Record.

“Um funcionário da France Telecom se suicidou nesta segunda (28) ao se atirar debaixo dos carros em uma rodovia no leste da França por motivos vinculados a problemas de trabalho na gigante francesa das telecomunicações.

O homem de 51 anos, que trabalhava numa central telefônica de Annecy (leste), se jogou de um viaduto na pista e morreu atropelado. Casado e pai de dois filhos, deixou uma carta aberta afirmando que o ambiente em sua empresa o levaram ao suicídio.

Com este suicídio sobe para 24 os funcionários que tiraram a própria vida desde fevereiro de 2008, atitude que os sindicatos atribuem ao estresse causado pela gestão empresarial e as condições de trabalho.”

Comentário

O capitalismo faz mal à saúde mental. Não é à toa que tanta gente sofre de depressão.


A direita mostra a cara

Setembro 27, 2009

Demorou, mas a direita tupininquim, aquela que vive com os pés em Miami e ainda considera como ótimo tudo que vem dos Estados Unidos, enfim saiu do muro e tomou partido no caso do golpe em Honduras. E, é claro, saiu ao lado dos golpistas, acusando, como sempre, Hugo Chávez e atacando, como de costume, o governo Lula.

A Veja saiu com a capa “Imperialismo Megalonanico”. Não li, mas talvez devesse, já que o rol de bobagens deve ficar próximo dos recordes estabelecidos pela revista. Mas olhando o site da Veja, fica subentendido que tudo teria sido arquitetado por Chávez. Provas? Para que? Aqui não se trata de jornalismo, portanto pode se esquecer os fatos e escrever um tratado de ficção.

Os defensores do golpe também começam a cunhar um termo, “golpe corretivo”, como se o golpe tivesse o sentido de evitar que Honduras estivesse a caminho de uma ditadura.  Se a tese passar, a elite sul-americana, que enriqueceu as custas da exploração, vai querer fazer correções na Bolívia, Paraguai, Equador, Venezuela, Brasil,  Nicarágua, etc…

Ah, é claro, a Colômbia se salva.


Democracia frágil

Setembro 22, 2009

Manuel Zelaya retornou nesta segunda-feira a Honduras, pediu refúgio à Embaixada do Brasil e pediu a restituição da norma democrática no país da América Central.

Por envolver a embaixada brasileira, o tema ganhou espaço em fóruns. Uma breve leitura indica que a democracia é defendida ou rejeitada conforme posições ideológicas, e não como um sistema de governo. Os leitores defendem a democracia da conveniênia: sou tenho tendência de esquerda, apóio à volta; se sou de direita, bato e critico Zelaya, Chaves, Evo, Lula, etc…

Assim, com pensamentos tão curtos, a democracia não vai resistir por muito tempo. Por que, se não aceito perder uma eleição, também não posso merecer ganhar.


Passarinho no Centenário

Setembro 19, 2009

Tirei nesta sexta-feira essas fotos no Estádio Centenário (do Caxias, clube de Caxias do Sul). É de um passarinho fazendo sua refeição.

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Fotografando muito, but…

Setembro 16, 2009

Ando fotografando muito ultimamente. Fotos de treinos de futebol, jogos da SER Caxias, etc…
Mas pouco de natureza e outras coisas mais artísticas. Vou ver se volto a fazer algumas coisas diferentes. Por hora, segue essa imagem que tirei outro dia num jogo.

Lance do atacante Tiago Adan no jogo São Jose 1 x 3 Caxias

Lance do atacante Tiago Adan no jogo São Jose 1 x 3 Caxias


Macondo é aqui

Setembro 12, 2009

Chove há três dias em Caxias do Sul. Nesta sexta, a água não parou de cair por um segundo.

Isso me remete a Macondo, de Gabriel Garcia Marquez, e aos livros Cem Anos de Solidão e Ninguém Escreve ao Coronel e, também, ao conto Isabel Vendo Chover em Macondo.

Macondo é aqui, definitivamente.


O erro de Maradona

Setembro 10, 2009

Reconhecer qual o seu lugar é importante. Valorizar os pontos fortes e buscar minimizar os pontos frágeis, evitando se expor, são virtudes imprescindíveis no mundo atual, cheio de desafios, cobranças e incertezas.

Maradona errou nesse julgalmento e cometeu, talvez, o seu maior pecado na vida, maior inclusive do que o seu envolvimento com as drogas – mais vítima, acima de tudo. Ao aceitar comandar a seleção argentina, Maradona assumiu um risco desnecessário e expôs suas fraquezas. Ele não precisava disso, o mundo do futebol também não.

Maradona foi genial nos gramados. Comandou a seleção argentina à título da Copa do Mundo do México, em 1986, fez o gol mais bonito da história das Copas, arrastou multidões aos estádios na Europa e na Argentina. Como jogador, transformou-se num mito; suas jogadas foram aplaudidas nos quatro cantos do planeta. Na hierarquia do futebol, ficou atrás apenas de Pelé, e só.

Mas Maradona não é treinador, e até os argentinos já perceberam isso. Acabo de ver enquete no El Clarín, um dos grandes jornais de Buenos Aires, no qual 70% afirmam que Maradona é o único culpado pelo naufrágio da seleção de seu país nas Eliminatórias Sul-Americanas à Copa do Mundo.  Cabe, agora, ao mito pegar o boné, ir para casa. E deixar um técnico de verdade assumir o comando da Argentina e levá-la a Copa de 2010.

Porque, sob o aspecto do futebol, será um pena ver a Argentina fora de um Mundial.


Não a guerra às drogas

Setembro 7, 2009

Tenho problemas com FHC (é pretensão minha, sei, mais vamos lá), por conta de histórias mau contadas (a aprovação da reeleição) e privatizações que apenas repassaram negócios muito lucrativos a grupos privados por ninharias (exemplo maior é a Vale).

Mas neste final de semana, FHC acerta no diagnóstico quando fala sobre a necessidade de se abandonar a atual guerra contra as drogas, em artigo ao inglês The Observer. Um resumo do texto pode ser lido no site da BBC Brasil.

No quesito drogas, o mundo ia até muito bem até a década de 30, quando apareceu um louco conservador nos Estados Unidos.  Seu nome: Harry Anslinger. Ele conseguiu a proibição da maconha e de outras drogas nos Estados Unidos e, com a ascensão do país a potência mundial, essa política foi exportada.

Negócio irrisório até a proibição, as drogas movimentam bilhões de dólares anualmente e não há continente, país ou ilha livre dessa praga que provoca inúmeras vítimas – mais pela repressão do que pelo próprio uso. A luta às drogas colocou todos no mesmo grupo, traficantes e usuários, e apenas provocou desastres. Acabar com isso é vital.

Hoje, não apenas a droga é um negócio bilionário; o combate às drogas é outro negócio bilionário. Se Anslinger queria criar esse negócio, acertou na mosca; se pensava seriamente em livrar o planeta desse mal, errou redondamente.

Como a Lei Seca que vigorou nos Estados Unidos entre 1917 e 1933, essa Guerra às Drogas também precisa morrer. Sob esse aspecto, FHC teve um momento de lucidez.


A permanência no poder

Setembro 2, 2009

Quem está no poder, quer permanecer lá a todo o custo. É o comportamento generalizado, seja na Europa, África, Ásia ou América do Sul. Para evitar exageros, em muitos lugares há regras específicas, que não costumam ser quebradas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o sujeito só pode se reeleger uma vez à presidência; na Europa, onde a maioria dos países é parlamentarista, a reeleição costuma ser ilimitada, mas o alto grau de alfabetização e fatores culturais tornam bem difícil alguém se perpetuar no poder – um dia, lá, o governante sempre dá adeus ao poder.

Na América Latina, é um pouco diferente. Por aqui, temos fatores bem específicos, que levam a constantes mudanças nas regras do jogo. Primeiro, contamos com elites, econômicas e políticas, que adoram se perpetuar no poder; segundo, temos um passado de quebra de legalidades que data não sei de quando e teve o mais novo capítulo – e longe de ser o último, desconfio – em Honduras há alguns meses; terceiro, temos políticos fortes, centralizadores e manda-chuvas, e partidos frágeis.

As quebras da regra do jogo fazem parte da história da América Latina. O Brasil não tinha reeleição, mas um senhor que se julgava rei mudou a regra; a Venezuela colocou Chávez no poder, que adorou e não quer largar; seus amigos no comando da Bolívia e Equador também já conseguiram uma reeleição; Uribe, o coronel da Colômbia, ganhou a chance de concorrer a um terceiro mandato, com o voto de vários políticos acusados de terem vendidos seus votos no passado.

Somos um continente com muitas eleições, mas será que temos regimes democráticos? Será que não contamos, em muitos casos, com fantoches à serviço da elite para que ela continue vivendo no luxo, enquanto a maioria trava batalhas diárias para viver (ou, em muitos casos, sobreviver)? Outros não são populistas ultrapassados?

A América Latina ainda precisa construir uma democracia justa, que reduza as enormes e absurdas desigualdades e permita a construção de sociedades plurais e modernas. Envoltos em uma estrutura autoritária (a centralização do poder político, a concepção das empresas, o concentração da mídia em poucos grupos que defendem interesses similares),  temos uma montanha a superar, mas o nosso fôlego é curto.