Golpe escondido no Uol

Junho 30, 2009

A home do Universo Online (Uol) parece ignorar o assunto Honduras, onde os militares derrubaram o presidente Manuel Zelaya. Agora a noite, há apenas uma chamada escondida. Em outros momentos durante a segunda e a terça-feira, o golpe sequer foi mencionado na home.

É interessante porque, tanto na Folha Online como na Folha de S. Paulo, o assunto vem sendo bem tratado. Ali, o golpe ganhou a dimensão da sua importância – não por Honduras, mas pelo golpe em si, num continente que sofreu com esse pesadelo em décadas anteriores. Mas a página-mãe do Uol parece ignorar essa dimensão.


Jornada de 40 horas

Junho 30, 2009

Nesta terça-feira, uma comissão aprovou a jornada semanal de 40 horas – uma redução de quatro horas. Até o final de agosto, se a previsão de parlamentares se confirmar, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) deve ser votada no Plenário. Se passar, vai para o Senado.

Em discussão há 14 anos – vai ser lento assim o processo legislativo nacional -, a proposta ainda está longe de virar realidade. Pelo ritmo, talvez em 2010, 2011 ou 2012. Isso se for aprovada, porque a redução da jornada de trabalho não interessa a empresários.

O impacto, no entanto, será mínimo, insignificante. A produtividade, em nenhum momento, vai ser afetada, porque, com a tecnologia, houve um ampliação da eficiência nos setores produtivos. Hoje, menos gente produz muito mais do que há 10 anos.

Apesar de ser um avanço, é um passo à frente pequeno. Sou a favor das 35 horas semanais – sete diárias. Radical?


Golpe em Honduras

Junho 29, 2009

A opção do golpe persiste na cabeça dos militares em inúmeros países da América Latina. É uma alternativa sempre que o governo não faz o que os militares julgam ser o mais correto para o país.

O caso de Honduras é exemplar. O governo vinha buscando a reeleição, seguindo uma agenda iniciada pelo nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Outros, como Hugo Chávez (Venezuela) e Álvaro Uribe (Colômbia), seguiram os seus passos. Natural que outros tivessem o mesmo interesse.

Só em Honduras, para evitar a tal reeleição, o exército depôs o presidente, o enviou para o exterior, exibiu uma carta de renúncia e colocou outro em seu lugar. Desnecessário dizer que os tanques foram às ruas, que as TVs foram censuradas.

O que é fazer agora? Muito simples. Qualquer país democrático precisa ser firme, exigir a volta do presidente ao cargo e não dialogar com o grupo que protagonizou o golpe. Simples assim.


Qual a reação do GM?

Junho 25, 2009

O banco Itaú resolveu colocar um cliente no cadastro de inandimplentes pela quantia expressiva de R$ 0,03 (três centavos, muito menos do que vale um alfinete Made in China).

Pois bem, o cliente entrou na Justiça e ganhou indenização de R$ 7 mil. A decisão é do Tribunal de Justiça do Rio e, como qualquer processo no Brasil, passível de recurso em instâncias superiores.

Fica a dúvida: se o recurso chegar ao STF, como Gilmar Mendes (GM) e os demais ministros vão ver essa decisão contra um banco, vão se sensibilizar e decidir que o cliente, no final de contas, tem que pagar os três centavos, com juros e multa?


Bom de ver, triste de ouvir

Junho 24, 2009

Futebol é ótimo de assistir; tem sempre o lance polêmico, a jogada bonita, o vacilo inesperado, a falha, o gol… E assim vai.

Mas é triste de ouvir a narração, mesmo na TV. O melhor, quase sempre, é apertar o botão do mudo e ficar assistindo.

Assim, não se ouve bobagem, análises furadas e comentários para lá de fracos. E se presta atenção aos detalhes do jogo. Ou seja, você ganha duas vezes.


Aos bancos, não aos pobres

Junho 24, 2009

Os dados são da ONU, a Organização das Nações Unidas:

- em 49 anos, os governos dos países pobres receberam US$ 2 bilhões em ajuda humanitária dos países ricos;

- em um ano, os paíeses ricos destinaram US$ 18 bilhões em ajuda aos bancos atingidos pela crise global.

Os dados estão numa matéria do UOL, que pode ser lida aqui.

Ou seja, dinheiro há. A questão é que eles perguntam para quem é o dinheiro, e aí, se você erra a resposta, ganha apenas um centavo.


Será pior?

Junho 24, 2009

Vi nesta manhã o teaser de “The Last Airbender”, de M Night Shyamalan, que deve estrear em 2010. Ficou um dúvida: o filme vai representar uma recuperação do diretor de “O Sexto Sentido” ou ele vai continuar na linha descendente, piorando cada vez mais?

Depois de o “O Sexto Sentido”, Shyamalan conseguiu piorar à medida que filmava. É como se ele, em vez de subir a escada, a descesse, rumo ao fundo do poço. Em “The Last Airbender”, ele vai descer outro degrau ou vai começar a voltar?

Confira o teaser, que parece interessante.


Produto inovador

Junho 23, 2009

Num módulo do MBA, um professor pediu para a gente criar um produto inovador, vender 20 unidades e realizar uma apresentação sobre a experiência na sala de aula. Tudo em uma semana. Já passaram três dias e ainda não tenho nada.

O que fazer?


Quando o argumento é uma falácia

Junho 23, 2009

Nas discussões que proliferam pela Internet, há muito lixo. Sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para excercer a profissão de jornalista, há um grande volume de bobagens sendo usadas como argumento para bater no diploma. Fica a dúvida: é para esse rumo que caminha o jornalismo brasileiro, já tão sofrível?

No blog do Nassif, encontrei um comentário que questionava: se escrevo um blog, ou coloco um comentário num blog, tenho que ter o diploma de jornalista? O cara, é óbvio, não assina o nome por incapacidade de de assumir a bobagem que diz. Quantos blogs existiam até duas semanas? Havia alguma contestação de jornalistas a esses blogs? E quantas cartas são publicadas diariamente nos jornais, editadas com prazer pelos jornalistas?

Há alguns pontos que os defensores do fim do diploma de jornalista vem usando como argumento, alguns nada éticos:

1) que não é preciso formação específica para jornalismo e outras atividades na área de humanas; encontrei até alguém chamando toda essa área de conhecimento de “perfurmaria”, como se não tivesse importância. Quem pensa que jornalismo é brincadeira deveria tentar produzir um jornal, com objetividade, critérios balanceados e ética.

2) que manifestar opinião – uma das características dos blogs – é jornalismo. Na verdade, emitir a opinião é privilégio de poucos e, atualmente, os jornais estão repletos de artigos assinados por advogados, políticos, médicos, sociólogos, etc.. O produto básico do jornalismo é a informação, que precisa ser buscada com critérios eticos.

3) que o problema da qualidade da mídia brasileira é fruto da obrigatoriedade do diploma. É uma falácia. A qualidade dos jornais, dos programas de rádios e TV está ligada a falta de investimentos da mídia, de priorizar focas (jornalistas recém saídos da faculdade) para pagar salários mais baixos, de exigir que o repórter apure e escreva várias matérias diariamente (o que dificulta a checagem e favorece a publicação de releases).

4) que o diploma fere a liberdade de expressão defendida pela Constistuição Federal. Há várias coisas que ferem a Constituição, e aqui não está o diploma, que não preocupam o STF. Por exemplo: a Constituição, no artigo 220, afirma que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio e oligopólio. Alguém tem dúvidas de que temos monopólio na comunicação brasileira? Gilmar Mendes e a turma do STF tem alguma preocupação com isso? Ou fazem de conta que o problema não existe?

5) que as faculdades de comunicação não ensinam nada. Se fosse assim, os jornais não contratariam tantos focas que supostamente não sabem nada para tocar o seu produto principal (a notícia). As faculdades de comunicação têm problemas, mas eles não são exclusivos; alguém pode citar uma faculdade de Medicina sem problemas ou imune a críticas? Além disso, é preciso avisar as pessoas que, assim como todas as outras profissões, o  exercício do jornalismo é um aprendizado constante, que começa na faculdade mas não termina no diploma. Isso vale para médicos, engenheiros, arquitetos, dentistas, administradores, etc..

Além desses cinco pontos, é preciso tocar num outro detalhe: a falta de legislação na área de comunicação. Deixamos um ambiente de lei específicas para um outro, no qual não há apenas a Constituição (muito genérica) e o Código Civil. Isso representa um atraso. Se a lei está defasada, faz se uma nova lei, que se adapte ao atual cenário. Não se acaba simplesmente com a legislação. A caminhada é para frente, não para trás. Essa “terra de ninguém” favorece a quem? Ao leitor? Ao jornalista? Ou aos grandes grupos de comunicação?


Fotos de Gramado

Junho 21, 2009

Algumas fotos de Gramado, feitas neste domingo de sol e pouco frio na Serra Gaúcha.

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Desigualdade, riqueza, pobreza

Junho 21, 2009

Dizem que se você quer saber o grau de desenvolvimento social de um país, você precisa comparar os salários pagos pelo governo. Quando menor a diferença entre o menos ganha e o que mais embolsa, mais avançado o país.

Pois bem, no Canadá, segundo o meu professor no MBA na UCS, a diferença é de seis vezes. Ou seja, se o que menos ganha recebe, digamos, US$ 1 mil, o salário mais alto é de US$ 6 mil.

E no Brasil, qual a diferença? Segundo o professor, de 52 vezes. Ou seja, tem gente ganhando o salário mínimo (R$ 465)  e outros embolsando mais de R$ 24 mil.

Um dos países mais desiguais no mundo, essa distorção ocorre também no serviço público.


A indústria musical perde o rebolado

Junho 19, 2009

Encontrei a notícia do Times, de Londres. Uma mãe solteira do Estado norte-americano de Minnesota foi processada pela RIAA (a associação das gravadoras) e condenada a pagar US$ 80 mil (cerca de R$ 160 mil) por música baixada ilegalmente. Total da pena: US$ 1,9 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões, ou uma Mega-Sena acumulada).

Não sei onde as gravadoras querem chegar com essa estratégia agressiva, de processar quem encontram pela frente. Desconfio que, no final das contas, vão matar a galinha.


Para o mundo que eu quero descer

Junho 18, 2009

Quando que as notícias ruins vão acabar?

Confira a ordem:

1) Quarta-feira, no final da tarde, a turma dos juízes que vivem num paraíso chamado Brasil-Bélgica, decidiu que o dipoima de jornalista não vale mais, mas talvez sirva para decorar a parede ou para alimentar o fogo.

2) Quarta-feira, à noite, o juiz Heber Roberto Lopes rouba o Inter no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil e todo o Brasil – em especial a Globo – acha muito legal, como se roubar fizesse parte do jogo. (Burro que sou, roubar faz parte do jogo brasileiro, conforme descobri nesses últimos anos!!; desculpem se não me acostumei com isso ainda).

3) Quinta-feira à noite, um grupo de equipes da Fórmula 1 se revolta contra a tirania de Max Mosley e decide criar uma nova categoria. Se é o fim da novela, não sei, mas o comunicado é bem contundente. Gosto da F-1 e, se acabar, será uma pena. Para piorar, o Rubinho ficará sem como dar suas desculpas.

Tomara que chegue logo o dia 21 de dezembro de 2012, com suas previsões apocalípticas. Posso me dar mal, mas os ladrões também se darão mal (eh, eh, eh).


A imprensa e a Petrobras

Junho 18, 2009

Talvez o melhor fato para a mídia brasileira – num todo, não apenas os grandes grupos – tenha sido o blog Fatos e Dados, da Petrobras. Nela, o setor de comunicação da empresa coloca as perguntas feitas por jornais e as respostas, divulga as cartas que envia às redações, etc..

Sinal de transparência, apesar das críticas.

A meu veu, a iniciativa tinha um grande problema – o de divulgar as perguntas feitas por jornalistas e as respostas assim que elas eram fornecidas à imprensa, o que prejudicava a busca por exclusividade dos jornais. Isso foi corrigido e, atualmente, a Petrobras só coloca o material no blog no dia informado da reportagem.

No final das costas, quem ganha é a sociedade brasileira; quem perde é a mídia que adora manipular, suprimir detalhes, em proveito próprio. Como fez o jornal O Globo nesta quinta-feira, como mostra esse post do Fatos e Dados.


O fim do diploma do jornalismo

Junho 18, 2009

A obrigatoriedade do diploma de jornalismo terminou nesta quarta-feira, com a decisão pró-empresas do Supremo Tribunal Federal  (STF). Normal, já que o STF é um tribunal que atende a interesses muito específicos, todos, é claro, de interesse da classe alta.

O interessante da decisão é olhar as reações das entidades interessantes. Chama a atenção da reação da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), para quem a decisão respalda o que já vinha ocorrendo na prática. Ou seja, esses caras até ontem descumpriam a legislação em vigor, de forma impune – pior, sem risco algum de punição. Gilmar Mendes e seus colegas, em vez de defender a lei, como devem ter jurado algum dia, vieram em socorro à esses que não cumpriam a legislação em vigor.

O sentido de justiça do STF (justiça, vale dizer, com letra minúscula) é muito estranho. Não está baseado na lei, mas no interesse dos grupos dominantes, a quem, pelo justo, juraram fidelidade cega.

***

Uma coisa, porém, precisa ficar clara. A cruzada do STF não é contra os jornalistas, apenas. É contra a sociedade brasileira. Nas grandes decisões do STF, há em curso uma desregulamentação que, todos sabemos, interessa apenas a quem detem o poder econômico.

É uma justiça dos ricos, para os ricos e pelos ricos. Isso é algo que um professor de direito me ensinou há mais de 20 anos, na UFRGS; desde então, a coisa, apenas piorou.