Escravos do carro

Fevereiro 26, 2009

Até quarta-feira, meio dia, Caxias do Sul era uma cidade ótima até para se andar de carro. Sem grande movimento, pouco engarrafamento, quase nenhuma fila dupla. Uma tranqueira aqui e outra lá, mas só isso. Nada demais.

Após o almoço dos gringos, na quarta, tudo mudou. Engarrafamentos, demora para se percorrer distâncias relativamente curtas, carros obstruindo a passagem em cruzamentos, motoristas desesperados pulando de uma pista para outra, carros de passeio em corredores de ônibus, caminhões na área central, etc… – tudo o que vc puder imaginar se vê, principalmente nos horários de pico, de manhã, antes e após o almoço e final de tarde.

Caxias do Sul está longe de integrar a lista dos piores neste aspecto. Quem viaja sabe disso. Basta ir a Porto Alegre ou a qualquer outra grande capital brasileira. São Paulo, então, nem se fala. Tivesse o paulistano um trânsito como o de Caxias do Sul, ele ergueria as mãos ao Céu, rezaria alguns Pai-Nossos em agradecimento. Mas quem aqui está já sente uma tremenda diferença em relação há alguns anos. Piorou e muito, apesar dos grandes investimentos da Prefeitura.

A continuar assim, decisões mais drásticas serão necessárias. Quais? Não sou especialista no assunto, portanto meu palpite vale pouco, quase nada. Mas, a meu ver, não adianta alargar ruas, erguer elevadas ou construir viadutos. Isso ajuda, mas é apenas um paliativo.

Nós só vamos esse siutação quando mudarmos a nossa mentalidade, o nosso relacionamento em relação ao carro e, consequentemente, em relação ao transporte público urbano.  Não dá para simplesmente continuar vendendo carro de forma adoidada e todos quererem sair de casa sempre no volante, mais ou menos no mesmo horário.

Talvez esse seja o maior erro. A gente compra um carro e descarta qualquer alternatvia. Simplesmente se sai de carro, esquece-se até que há alguma outra forma de transporte.

O problema não é utilizar o carro; o problema é que viramos escravos do carro. É isso mesmo, somos escravos do carro.  Enquanto não mudarmos isso, recuperarmos nossa “liberdade”, o caos no trânsito vai apenas piorar.


Paraíso para os bancos

Fevereiro 19, 2009

Em boa parte do mundo, os bancos estão em situações extramamente delicadas. Há instituições sendo salvas por dinheiro público principalmente nos Estados Unidos e Europa, onde governo já despejaram bilhões e bilhões de dólares para evitar a quebradeira.

Aqui não. Apesar da crise, os bancos continuam em festa. O Banco do Brasil teve lucro R$ 8,8 bilhões, o Bradesco, de R$ 7,62 bilhões. Os outros gigantes do setor, como Caixa, Itaú e Santader, ainda não divulgaram os resultados.


Sob o temor da crise

Fevereiro 18, 2009

É inevitável. Aonde você vai, o assunto aparece, quase sempre como protagonista, poucas vezes como tema coadjuvante, marginal. As pessoas estão com medo, algumas apavoradas.

Essa preocupação se justifica, por uma série de razões.  A conferir algumas:

1) A crise, de fato, é muito séria. Governos de vários países já despejaram bilhões e bilhões de dólares, principalmente em bancos, mas o dinheiro, pelo menos por enquanto, apenas impediu o colapso total. Esses dólares ainda estão longe de salvar a economia, e há dúvidas se de fato a injeção de dinheiro em cifras astronômicas vai dar o resultado esperado.

2) A crise está fora de nossa compreensão. Os economistas ainda não compreenderam e muito menos dimensionaram o tamanho desse monstro, o que dirá de nós, leigos no assunto.  Pior ainda, nenhum gênio da economia tem alguma ideia vaga de como podemos sair dessa crise.

3) A nossa paralisia diante da crise. Sem querer, o nosso medo apenas está piorando a situação. Ao sinal da fumaça à distância, pisamos bruscamente no freio. Paramos de comprar, de fazer dívidas, nos precavendo diante do pior (a demissão, para uma grande maioria, a falta de contratos e negócios, para uma outra parte).

Sem compreender o monstro, estamos aqui, torcendo, na espera de que a economia volte aos eixos e que a gente retomar a nossa vida, pelos menos até 21 de dezembro de 2012.

Porque, se sobrevivermos agora, teremos pela frente as previsões apocalípticas para logo ali na frente.

(Antes, é claro, teremos uma série de filmes apocalípticos para assistir, afinal o capitalismo precisa do lucro a qualquer preço).


Viva a repressão?

Fevereiro 18, 2009

Para os jovens que gostam de diversão à noite, repressão. Essa é a opção escolhida pela Brigada Militar, que endureceu com os adolescentes que adoram beber e se divertir em postos de combustíveis.

Será que é a melhor saída?


Fiasco do futebol caxiense

Fevereiro 12, 2009

Resta uma rodada para o final da fase classificatória do 1º turno do Gauchão do 2009. No Grupo 1, o Juventude, após sete jogos, somou oito pontos e está em sexto, com oito pontos. Na chave 2, o Caxias, com sete pontos, está em sétimo. Para avançar à segunda fase, as duas equipes precisam vencer na última rodada e torcer por resultados paralelos.

É um vexame, um fiasco gigantesco. Caxias do Sul, desde os anos 90 a segunda força do futebol gaúcho, virou pequena no futebol. Nem Caxias nem Juventude metem medo em equipes como Avenida, São José-PoA, Novo Hamburgo, etc…

Que, como todos sabem, não metem medo em ninguém.


Estradas de primeira

Fevereiro 9, 2009
Ruta 5, que liga Montevidéu a Rivera

Ruta 5, que liga Montevidéu a Rivera

Andar de carro no Uruguai é uma maravilha. As estradas são impecáveis, nada de buracos, desníveis. As principais rodovias têm acostamento. Em alguns pontos, há pista dupla, como no trecho entre Punta del Este e Montevidéu, e Montevidéu rumo a Colonia del Sacramento.

Tal como aqui, as rodovias têm pedágio, mas parece que no Uruguai o objetivo é um pouco diferente do objetivo do pedágio gaúcho. Lá, o pedágio, ao que tudo indica, é pago para manter as estradas em ótimo estado, dando condições ao motorista de viajar com tranqüilidade e segurança.

Aqui, todos sabemos, o pedágio não tem esse propósito. Basta dirigir nas nossas estradas pedagiadas, desniveladas (quando chove, é comum a formação de trilhos com água), com inúmeros remendos de segunda categoria e acostamentos ridículos. Sem contar que há pedágio em tudo o que é ponto, bem diferente do Uruguai.

Os preços também não são os mesmos. Afinal, quando o propósito é ganhar dinheiro, não dá para cobrar muito barato.