Durante a semana, vi uma bomba: “O Dia em que a Terra Parou”.
Neste sábado, assisti a um belo filme: “A Troca”.
Esqueçam que eu vi o primeiro e assistam ao segundo, com uma bela atuação de Angelina Jolie e a direção sensível de Clint Eastwood.
Bombas e filmes
Janeiro 31, 2009Pelo menos um livro nas férias
Janeiro 31, 2009É sagrado, tal como ir para uma Octoberfest e tomar vários chopes. Sempre que tiro férias leio um livro, pelo menos. Não é tarefa ou obrigação. É prazer, algo que traz uma sensação agradável. Assim, já devorei livros como “Zen e a arte da manutenção da motocicleta”, “We” (esse em inglês, já que nunca encontrei uma cópia em português), “Walden”, “Senhor dos Anéis”, etc…
Nestas férias, li “A Sombra do Vento”, de Carlos Ruiz Zafón. Demorou a engrenar. Às vezes, quando se viaja de carro, ler fica um pouco mais complicado. Ler em hotel, em plena Buenos Aires, é tarefa quase impossível; o melhor é sair pelas ruas, conhecer lugares, tomar uma cerveja, conversar, observar. Enquanto viajava, pouco li. Na volta, porém, devorei “A Sombra do Vento”, de 400 páginas, em poucos dias, mergulhando na busca de Daniel, o protagonista, por Julian Carax.
Gostei do livro, apesar de algumas partes que me pareceram piegas, com excesso de adjetivos e alguns clichês. No final das contas, porém, é um livro poético, com uma descrição apaixonada de uma Barcelona que, desconfio, já não existe mais, uma trama envolvente, que vai se revelando aos poucos, e personagens complexas.
Parte do que eu sou
Janeiro 29, 2009Outro dia, a Alexandra postou isso no blog dela.
“Numa brincadeira entre blogueiros, fui convocada pela Cris Fontinha a revelar seis coisas sobre “minha pessoa”. Depois tenho que repassar a missão a mais gente.”
Ela fez a lista dela, bem legal, e no final me indicou para fazer a mesma lista. Lá vai, sem uma ordem específica, nem cronológica nem de importância.
1. Fui para o seminário quando tinha 12 anos. Nos primeiros dias, quase morri de saudade e, sinceramente, pensei em desistir e voltar para casa. Agueitei firme. Tive esse mesmo sentimento, uma saudade misturada com solidão, outras duas vezes na vida: quando deixei a casa dos pais para trabalhar em Montenegro e, depois, quando fui a Porto Alegre estudar.
2. Fui expulso do seminário três anos depois de ter entrado. Oficialmente, por não ter vocação (no que os padres estavam certos, embora eu dissesse que não à época). A verdade: fui expulso, como muito orgulho, porque aprontei muito no meu terceiro ano no seminário.
3. Como meu pai era agricultor, fiz de tudo na infância, desde bem cedo. Ir para a roça, capinar no meio do milho alto, colher cana de açúcar (eta coisa difícil), cortar soja no outono gelado, derrubar mata. Também ordenhei vacas, limpei chiqueiro, etc…
4. Quando adolescente, nosso time foi jogar um torneio numa localidade vizinha. Não ganhamos, mas ficamos numa boa colocação e voltamos com um porco dentro do ônibus, quase bêbados e cantando como se tivéssemos ganho a Copa do Mundo.
5. Conheci o mar aos 21 anos. Fui, com um amigo, num final de semana para Tramandaí, onde acampamos. Fazia um frio, daqueles frios inesperados que fazem parte do nosso verão. Para não passar em branco, entrei no mar gelado e tomei um banho. Desde então, jamais vou ao litoral sem tomar um banho de mar. É sagrado.
6. Aos 22 anos, contra os argumentos da mãe e de amigos, peguei o ônibus e fui conhecer o Rio de Janeiro, com alguns trocados no bolso. Fiquei numa Casa de Estudante, no Botafogo, e por duas semanas conheci as praias do Rio – Copacabana, Ipanema, Flamengo, Botafogo e a Barra (que na época tinha um prédio aqui e outro acolá) – e os pontos turístiscos – Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Maracanã, Lagoa da Conceição e o Jardim Botânico. Na passagem, tive um caso uma moreninha que tinha namorado – ou melhor, uma namorada que, quando descobriu, pensei que ía me encher de porrada.
É isso. Agora, quem eu incluo nesta lista? Vamos lá, a Biba, o Roque Santeiro e o Delano.
Os berros do mentiroso
Janeiro 29, 2009Uma reação natural quando alguém perde a razão é apelar para os berros, na tentativa de se impor com os gritos.
Um exemplo disso ocorreu nesta quinta-feira, em Davos, na Suíça. Numa reunião que tratava sobre a situação da Faixa de Gaza, o presidente de Israel, Shimon Peres, perdeu o equilíbrio, como mostra essa matéria do site Terra. Aos berros, ele responsabilizou o Hamas por todas as mortes de civis na Faixa de Gaza, durante os bombardeios de Israel.
O caso mostra que Israel está perdendo todo o senso de realidade, distorcendo todos os fatos possíveis para vender suas mentiras – compradas, pelo menos a maior parte, pela mídia brasileira de olhos fechados, como se propaganda fosse jornalismo.
Culpar o Hamas pela morte de civis, por mais absurda que seja essa mentira, está longe de ser a única. Quem atira e mata é o responsável pela morte.
Dizer que foi o Hamas que rompeu a trégua é outra mentira deslavada. O primeiro a romper a trégua foi Israel, um fato comprovado e que a mídia brasileira – Folha, Estadão, Zero Hora, Globo – faz questão de distorcer.
Aos berros, eles – Israel e a mídia pró-Israel – vão tentando impor as mentiras.
A Viagem – parte 3
Janeiro 27, 2009Algumas fotos de Montevidéu, um pouco decadente, mas charmosa.

Plaza Independencia

Plaza Independencia

Plaza Independencia

Prédio na Av. 19 de Julio

Outro prédio na Av. 18 de Julio

Monumento em uma praça

Monumento em praça da parte antiga de Montevidéu

Prédio do legislativo
A Viagem – parte 2
Janeiro 26, 2009Na segunda-feira, deixamos Pelotas para trás e seguimos em direção ao Uruguai. A viagem, principalmente após pegar a estrada ao Chuí, é tranqüila. Sem buracos e longas retas, é um passeio, embora a distância, num determinado momento, comece a cansar, assim com a paisagem, sempre igual.
Na saída, pegamos um belo arco-íris. Na entrada no Uruguai, um pequeno contratempo: faltava a carta verde, necessária para se entrar no país de carro. Tivemos que voltar, pagar o seguro e entramos no país vizinho. Paramos no Forte Santa Tereza e passamos à noite em La Paloma, uma praia que se no meio do caminho entre o Chuí e Montevidéu. No dia seguinte, conhecemos Punta del Este, bela, chique e, desconfio, carríssima. A tarde fomos a Montevidéu.

Belo arco-íris na viagem

Forte Santa Tereza

Forte Santa Tereza

Entrada do Forte Santa Tereza

Praia La Paloma

Punta del Este

Punta del Este
Obama, um Bush mais refinado
Janeiro 25, 2009Perdi qualquer ilusão sobre o governo de Barack Obama ainda em 2008, dias depois do início dos crimes de querra cometidos por Israel na Faixa de Gaza. Obama, que até então falava sobre tudo, silenciou. Pior, passou a bola para Bush, como se corroborasse com suas idéias.
Na verdade, parece muito claro que Obama não estava apenas por dentro de tudo, como foi consultado sobre os bombardeios. O fim dos ataques, poucos dias antes de sua posse, revela uma sintonia que não parece uma simples coincidência, aponta para um acordo entre os governos de Israel e o de Obama.
Depois de assumir, Obama mencionou a crise, mas se posicionou ao lado de Israel, falou em uma paz para região e cobrou dos países árabes para isolem grupos como o Hamas.
Ou seja, Obama não fez nada diferente de Bush. Apenas foi um pouco mais refinado, até por conta da generosidade da mídia.
A situação do povo palestino continua igual. Não há nada que indique que vá melhorar. Pelo contrário, as atrocidades cometidas por Israel vão continuar no governo de Obama.
Mais fotos de Pelotas
Janeiro 24, 2009
Praia do Laranjal

Praia do Laranjal

Charqueada em Pelotas

Casa tradicional de uma charqueada

Um amigo dando um mergulho
A Viagem – parte 1
Janeiro 23, 2009De carro, fizemos, eu e minha mulher, uma viagem de 12 dias, passando por cidades gaúchas, uruguaias e por Buenos Aires. Vou, a partir desta sexta-feira, postar alguns comentários e fotos tiradas de lugares bonitos e interessantes.
Começamos a viagem no dia 10, um sábado. Saímos de Caxias do Sul às 5h30min e, um pouco antes das 11h, estávamos em Pelotas. Para trás, ficaram pelo menos nove pardais (entre Caxias e São Leopoldo), algumas lombadas eletrônicas e seis pedágios. E, pior, a estrada em estado apenas razoável. Paga-se muito por rodovias desniveladas, com trilhos e até buracos.
Pelotas é uma cidade antiga, um pouco decadente em função de uma economia estagnada há pelo menos duas décadas. Os prédios antigos proliferam na área central, alguns bem cuidados, outros nem tanto ou em estado de recuperação por parte da Prefeitura. É uma pena. Com investimentos, a cidade teria um potencial enorme, principalmente pela sua localização (próxima do Porto de Rio Grande e a pouco mais de 200 quilômetros da região metropolitana de Porto Alegre).
Em Pelotas, conduzidos pelo nosso guia, o amigo Diogo Osório Coelho e futuro pai coruja, conhecemos a área central, o Bar Liberdade, o Estádio Bento Freitas, o Laranjal e uma charqueada. Tudo muito legal. Ficamos dois dias lá. Abaixo, algumas fotos.



Estou de volta
Janeiro 21, 2009Retornei nesta quarta-feira a Caxias do Sul.
A partir de amanhã, vou postar algun material sobre as férias e dicas de viagem.
Férias, enfim
Janeiro 9, 2009Com essa foto de final de tarde, tirada há alguns dias da área de serviço do meu apartamento, me despeço temporariamente.
De férias no trabalho, de férias do blog também.

“Gaza, o bumerangue” – artigo
Janeiro 9, 2009Em tempos de conflito, a verdade costuma padecer, é assinada por pessoas propensas a defender um lado, mesmo que isso signifique mentir ou partir de um pressuposto equivocado.
Por vezes, porém, aparecem artigos que valem a pena ler, porque dão uma perspectiva sobre o tema. É o carto de “Gaza, o bumerangue”, artigo de Nicholas D. Kristof, publicado iniciamente no New York Times e que aparece nesta sexta na Folha de S. Paulo. Segue o artigo abaixo:
***
“Em um momento no qual Israel está bombardeando Gaza para tentar esmagar o Hamas, vale lembrar que o governo israelense ajudou a fomentar o crescimento do grupo.
Quando o Hamas foi fundado, em 1987, a maior preocupação israelense era o Fatah, de Iasser Arafat. Calculando que aqueles muçulmanos fundamentalistas dedicariam seu tempo a orar, Israel permitiu que o Hamas crescesse como contrapeso ao Fatah.
O que estamos vendo no Oriente Médio é a Síndrome do Bumerangue. O terrorismo árabe ajuda a reforçar o apoio aos políticos israelenses de direita, que tomam medidas severas contra os palestinos, os quais por sua vez respondem com mais terrorismo. Os extremistas de lado a lado sustentam-se mutuamente, e os dois lados tornam a vida do oponente a pior possível.
Visitei Gaza na metade do ano passado e encontrei entre os palestinos uma ambivalência que americanos e israelenses não parecem compreender. Muitos moradores de Gaza desprezam o Fatah como corrupto e incompetente e desgostam do excesso de zelo e da repressão do Hamas. Mas quando estão sofrendo e se sentem humilhados, a ideia de que o Hamas está contra-atacando é emocionalmente satisfatória.
É certo que Israel foi alvo de profundas provocações, neste caso. Quando um vizinho está bombardeando seu território, Israel precisa fazer algo.
Mas o direito israelense a fazer alguma coisa não inclui fazer qualquer coisa. Desde que os ataques de artilharia da faixa de Gaza foram iniciados, em 2001, 20 israelenses morreram em explosões de foguetes ou morteiros, segundo grupos israelenses de direitos humanos.
Isso não justifica uma invasão terrestre aberta que causou a morte de mais de 760 pessoas (entre as quais é difícil distinguir militantes e civis).
O que Israel poderia ter feito como resposta razoável? Bombardear os túneis pelos quais armas são contrabandeadas para Gaza seria uma resposta proporcional, caso Israel tivesse se limitado a isso, e o mesmo vale para ataques aéreos contra determinados alvos do Hamas. Uma abordagem ainda melhor teria sido aliviar o cerco a Gaza, e talvez criar um ambiente no qual o Hamas poderia ter aceitado prolongar o cessar-fogo expirado em dezembro. Quase qualquer coisa teria sido melhor do que reagir com violência e gerar mais bumerangues.
“Essa política não está tornando Israel mais forte”, aponta Sari Bashi, diretora executiva da Gisha, organização israelense de defesa dos direitos humanos que trabalha em questões relacionadas a Gaza. “O trauma que 1,5 milhão de pessoas vêm sofrendo em Gaza terá efeitos de longo prazo sobre nossa capacidade de conviver.”
A estratégia de Israel vem sendo a de causar sofrimento aos cidadãos palestinos comuns na esperança de gerar má vontade para com o Hamas. É por isso que, a partir de 2007, Israel reduziu os embarques de combustível para as empresas de energia e água de Gaza -e hoje, depois dos bombardeios, 800 mil moradores de Gaza estão sem água corrente.
“A política israelense para Gaza é divulgada como uma política de combate ao Hamas, mas na verdade é uma política contrária ao 1,5 milhão de habitantes de Gaza”, diz Bashi.
Todos nós sabemos que a solução mais plausível para a confusão no Oriente Médio é a criação de dois Estados. É difícil ver como poderemos chegar lá, de onde estamos, mas um passo seria fortalecer o presidente Mahmoud Abbas e sua Autoridade Nacional Palestina.
Em vez disso, as informações iniciais são de que o ataque a Gaza está concentrando a ira dos árabes em Abbas e vizinhos moderados como a Jordânia, o que solapa o esforço de paz.
Barack Obama disse relativamente pouco sobre Gaza. Inicialmente, dadas as provocações do Hamas, isso era compreensível. Mas à medida que a invasão terrestre aumenta o custo em vidas, ele precisa se unir aos líderes europeus no apelo por um cessar-fogo -e, ao assumir a Presidência, precisa prover a verdadeira liderança de que o mundo precisa. Aaron David Miller, veterano negociador americano de paz, sugere no novo e excelente livro “The Much Too Promised Land” [a terra prometida demais] que os presidentes deveriam oferecer amor a Israel, mas “amor severo”. Assim, que Obama encontre sua voz e ofereça amor severo a Israel.”
Mídia fora da casinha
Janeiro 8, 2009Abro alguns sites agora, pós almoço, para acompanhar o que se sucede na Faixa de Gaza. Vejam as machantes:
UOL: “Israel acusa palestinos por dísparos do Líbano”, seguido por chamadas menores, “Brasileira fotografa rastro de míssel em Israel” e “Shimon Perez: Gaza não pode virar satélite do Irã”.
Zero Hora: “Israel culpa elementos palestinos por foguetes lançados do Líbano”, seguido com uma foto e a legenda, “Projéteis atingiram um lar de idosos do lado israelense. Veja outras fotos”.
Terra: “Sobe para 763 número de palestinos mortos na ofensiva israelense”.
Pelos menos dois sites estão fora de compasso. Pena que tal descompasso não surpreende nem um pouco.
Pega na mentira
Janeiro 7, 2009O título do post é de uma música, de Roberto e Erasmo Carlos. A letra traz várias mentiras grandes, daquelas que são difíceis de se acreditar. Era uma brincadeira, uma gozação da dupla.
Israel parece estar fazendo o mesmo com a gente, tirando sarro da nossa cara, tamanha as mentiras vendidas diariamente – muitas delas compradas como verdadeiras pela nossa mídia.
Na terça-feira, quando o Exército de Israel matou 40 pessoas em uma escola da ONU, porta-vozes se apressaram e garantiram que tiros haviam sido disparados do local; os soldados, portanto, estavam se defendendo. Uma investigação preliminar da ONU mostrou que não era verdadeiro. Portanto, uma mentira.
Desde o começo do conflito, Israel diz que o alvo são os militantes do Hamas. Por que, então, tantas crianças (mais de 100, até agora) e tantos civis foram mortos até agora? Desconfio que, para Israel, tudo que é palestino e se mexe, é terrorista; todo aquele, mesmo criança, que se esconde, é terrorista; se ficar imóvel, é suspeito, também deve ser terrorista, portanto tiro nele.
Outra mentira, das grandes e comprada como verdade por nossa grande mídia: Israel apenas se defende. Quem ataca não se defende, ataca. Basta procurar no dicionário. Atacar e defender não são sinônimos – pelo contrário, nobres jornalistas.
Como diriam o Rei o Tremendão, Pega na Mentira.
Papel aceita tudo
Janeiro 7, 2009Essa é da série papel aceita tudo, inclusive idiotices que beiram ao ridículo. O exemplo de hoje é da Folha de S. Paulo. O jornal entrevista um especialista sobre o ataque de Israel a uma escola da ONU, que matou mais de 30 pessoas.
Diz o tal “especialista”: “Essas escolas estão sendo usadas pelo Hamas para atacar Israel, há imagens provando isso. Quem mantém crianças nessa escola é que deve ser responsabilizado, não Israel. Concordo que Israel tem um enorme desafio para explicar isso, mas, se o mundo não entender, paciência. Se o outro lado não cumpre as regras básicas, Israel não pode ser culpado.”
É mais ou menos assim: pessoal do Hamas, saiam às ruas, fiquem em filas, assim poderemos matar vocês sem ferir um inocente. Se alguém se esconder num prédio, vamos destruir o prédio, e a culpa é de vocês.
Pior do que o cara dizer isso é o repórter aceitar na boa. Um exemplo de mau jornalismo.
Escrito por luizerbes
Escrito por luizerbes
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