A Igreja

Dezembro 30, 2008

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Como um velho faroeste

Dezembro 29, 2008

A espoliação e o massacre dos palestinos em Gaza, pelo exército israelense, chega a nós via mídia na forma de um filme de faroeste tradicional. Os tempos mudaram, os termos utilizados são outros, mas o plot desse enredo é basicamente o mesmo do que ocorreu na América no passado e do que está acontecendo, em menor escala, com os palestinos desde a metade do século 20. A vítima é apresentada como a vilâ da história.

Todos, pelo menos os quem têm mais de 30, já devem ter visto algum filme de faroeste. O índio é apresentado como o selvagem, alguém que não pensa duas vidas para matar o homem branco, em busca do troféu (o escalpo). Sempre ardiloso, esconde se mato para atacar o homem branco, matar homens e mulheres. Não tem receio de atacar o exército e trucitá-lo. Em suma, é o mau, o vilão, aquele do qual não se pode ter pena. O homem branco é o oposto. Bonzinho, apenas se defende, luta com idealismo e preserva mulheres e crianças na sua luta (aliás, mulheres e crianças índias são uma raridade em filmes de faroeste antigos).

Essa representação, comum nesses filmes, vendeu uma história que todos sabemos ser falsa. O índio, que ocupava toda a América, do Sul da Argentina ao Norte do Canadá, foi perseguido por séculos, morto a punhaladas de facões e espadas alvo das armas de fogo. Sobrou apenas uma ínfima parte dos índios que habitavam o continente. Portugueses, espanhóis, ingleses dizimaram uma boa parte. Após a independência das colônias europeus, brasileiros, mexicanos, argentinos e amaricanos continuaram o massacre, finalizando o serviço.

Na Palestina, essa história se repete. Os palestinos ocupavam aqueles bandas até o século 20. Veio a ocupação inglesa, depois a criação do estado judeu. Começou, então, a destruição do povo palestino. Foram expulsos de suas terras pelos judeus, que fundaram Israel. Daquilo que era a Palestina, resta uma pequena parte, distribuída pela Faixa de Gaza e Cisjordânia. E, embora estejamos em 2008, numa época com uma entidade, a ONU, que visa proteger culturas e povos, e os direitos humanos são pregados por governantes e pela poderosa mídia, a espoliação e o massacre continuam. Israel, com o aval dos Estados Unidos e o silêncio da mídia, vai ampliando assentamentos, expulsando famílias, matando quem fica no caminho.

Só que essa história não nos é apresentada assim. Não se vê na mídia Israel tomando às terras dos palestinos. Pelo contrário, os israelenses são apresentados como um povo quase indefeso, que corre o risco de vida de forma cotidiana. São bonzinhos, nunca aparecem fazendo o mal, apenas se defendem, mesmo quando jogam pesadas bombas sobre cidades palestinas. Continuam bonzinhos, mesmo quando submetem os palestinos à fome, impedindo a entrada de suprimentos e medicamentos. Os palestinos, que perderam suas terras, suas casas, seus empregos e sua dignidade, são os maus. Quando reagem, são chamados de terroristas por governos e pela mídia que diz defender os direitos do homem e dos povos.

O termo selvagem cedeu lugar ao terrorista, e assim o homem pode continuar a aceitar seus crimes como se eles pudessem ser justificados, como se pudessem ter um propósito maior. O massacre pelestino, que começou há 60 anos e está destruindo um povo, é apenas mais um que entra no rol do homem branco. Outros massacres virão, sempre perpetuado por governantes e sempre com a participação da grande mídia. Vamos continuar a assistí-los como um velho faroeste, apenas com nuances novas.


A chamada de Zero Hora

Dezembro 29, 2008

O jornal Zero Hora dá nesta segunda-feira um exemplo claro de como distorce as coisas quando aborda a questão palestina. A chamada de capa: “A guerra de Gaza”. Com isso, dá a entender que há um conflito, com dois lados, supostamente com alguma equivalência de forças.
A realidade é outra: de um lado, um dos países mais militarizados do mundo, que recebe o equivalente a US$ 3 bilhões em ajuda bélica dos Estados Unidos por ano; do outro lado, um grupo que ZH adora chamar de terrorista, mas cuja definição está longe de ser correta, com poder de destruição limitado.
Mais: de um lado, um país que controla tudo que entra na Faixa de Gaza, inclusive alimentos (que, não por acaso, têm tido entrada restrita nos últimos meses); do outro, um povo oprimido.
A esse confronto Zero Hora chama de “guerra”. Poderia chamar de outra coisa, muito mais próxima da realidade, mas o jornal prefere o termo “guerra”.
Zero Hora claramente escolhe o lado. Faz, em vez de jornalismo, um serviço de RP.


Poema sobre paz – John Denver

Dezembro 28, 2008


O silêncio revelador

Dezembro 28, 2008

Nem sempre, mas algumas vezes o silêncio é mais revelador do que uma declaração.
Esse é o caso de Barack Obama sobre o bombardeio de Israel sobre a Faixa de Gaza, neste sábado. Nenhuma declaração, apenas uma notícia dizendo que está acompanhando a situação.
E a julgar pela escolha de Hillary Clinton para secretária de Estado, nada vai mudar. Obama, pelo menos em relação à Palestina, dá indícios de que vai ser igual a George War Bush. Senão pior.


Minuto de silêncio

Dezembro 27, 2008

Um minuto de silêncio às centenas de vítimas palestinas neste sábado, supostamente o dia sagrado dos judeus.
Como se vê, apenas supostamente.


Fotos de detalhes

Dezembro 27, 2008

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Um zero à esquerda

Dezembro 23, 2008

Em algumas coisas sou um zero à esquerda. Um exemplo: previsão do tempo. Na maior parte das vezes, minha previsão está 100% errada.

Na segunda-feira, por exemplo, olhei para o céu e afirmei: “Estou com medo de uma seca, porque o céu não tem cara de chuva”. Nesta terça-feira, caiu, no final da tarde, um temporal em Caxias do Sul. Errei 100%,

A longo prazo, posso até acertar, até porque a possibildiade de seca no Rio Grande do Sul é grande. Vários municípios sofrem com a falta de chuva, alguns até já estão racionando água.

Mas a curto prazo, errei redondamente.


Tempo de preguiça

Dezembro 18, 2008

Essa época pré-Natal e Ano Novo começa a dar uma preguiça. O ritmo do trabalho diminui, as tarefas já não andam como antes. Fazer aquele release (texto que os assessores de imprensa mandam para a mídia) exige mais, já que o trabalho não sai ao natural.

Nesse período, o trabalho deveria ser apenas parcial. Em vez de dois turno, um turno apenas. Manhã, tarde ou noite, mas nunca dois turnos. Para sobrar tempo para sair, passear, desestressar, relaxar. Afinal, os outros meses do ano foram puxados.

Quem certamente concorda comigo é Domenico De Masi, o italiano que propaga pelo mundo o tal Ócio Criativo. Muita gente já leu os livros dele. Infelizmente, os patrões pularam esse livro.


Imagens de cavalos

Dezembro 14, 2008

De passagem por Criúva, neste domingo, tirei essas fotos. Espero que vocês gostem.

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Conversa de botequim no prédio

Dezembro 13, 2008
Um pouco de churrasco, muita cerveja e uma overdose de teses

Um pouco de churrasco, muita cerveja e uma overdose de teses

Não é sempre que a gente se reúne, uma ou duas vezes por mês no máximo. E é sempre divertido. Os ingredientes básicos: um pouco de carne para fazer o churrasco, uma cachacinha envelhecida de aperetivo e bastante cerveja na geladeira. O resto é com a gente: muita conversa, sobre tudo, de futebol a política, passando por diversos temas. Já resolvemos uma parte dos assuntos do planeta, mas agora não consigo lembras das soluções.

A turma é a da foto acima, tirada na última terça-feira. Pela ordem, da esquerda para a direita: o Élvio, eu (um pouco à frente), o Julião, o Luiz Carlos, Brustolin, o outro Luiz e o Vargas. Nem sempre vão os sete. Na terça-feira, todos foram, o que mereceu a foto.


Call center mais rápido

Dezembro 12, 2008

São os novos tempos, e às vezes bem melhores.
É o caso da nova lei dos call centers, que entrou em vigor há algumas semanas. Ficou bem mais rápido e eficiente.
Minha esposa, há alguns meses, tentou cancelar um cartão de crédito. Não conseguiu. Ligava, esperava, a ligação era transferida, caía, etc.. Não havia jeito de cancelar o cartão.
Agora, com a nova lei, ela tentou novamente. Ligou, a moça atendeu e, rapidinho, conseguiu cancelar o tal cartão. Como sempre deveria ter sido.
***
Com a nova lei, as operadoras de cartão de crédito, empresas de telefonia e outras tantas vão amargar um pequeno prejuízo nos próximos meses. Ganharam muito dinheiro de forma pouco honesta, mas a festa acabou, enfim.


Cartinha contra o pedágio

Dezembro 11, 2008

Essa carta abaixo, com o título “Prorrogação de contratos”,  foi publicada nesta quinta-feira, no jornal Pioneiro.

“Cálculo do professor Luis Roque Klering, da UFRGS, tendo por base dados do Duplica RS, relatórios das concessionárias para o Daer e os relatórios dos pedágios comunitários não deixa dúvidas do quanto os gaúchos serão penalizados com a prorrogação proposta pelo Estado.
Nos 20 anos da prorrogação, a arrecadação projetada nos pólos é de R$ 9,32 bilhões, com investimentos de R$ 992 milhões. No mesmo período, os comunitários arrecadariam R$ 3,38 bilhões, com investimentos de R$ 2,49 bilhões. Portanto, os usuários pagariam três vezes menos, com duas vezes e meia mais investimentos.”

A autoria é de Agenor Basso, secretário da Assurcon-Serra.

Se esses são os fatos, como a Assembléia Legislativa pode estar discutindo o “Aplica RS” da Yeda. Rejeitar a proposta é pouco; um absurdo desses deveria ser enviado de volta para a governadora.


Sobre barulho e silêncio

Dezembro 11, 2008

Moro em uma cidade, Caxias do Sul. Sobra barulho, falta silêncio. É barulho de manhã, tarde, noite e, nos finais de semana, até de madurgada.

Aparentemente, a gente se acostuma ao barulho. A verdade não é essa, porém. Nós convivemos com o barulho, o aceitamos como parte da nossa vida. Mas ele é um ser estranho, um fator de estresse. É fácil ver isso no final de um dia agitado: as pessoas estão estressadas, mal-humoradas e prontas para partir para discussão ou até briga.

A sociedade nos impôs o barulho.  O silêncio virou um ser estranho, do qual, em virtude da convivência cotidiana com o barulho, nos afastamos. Não buscamos mais o silêncio, pelo contrário, fugimos dele. Nossas músicas, por exemplo, são barulhentas, os filmes que assistimos são barulhentos, os ambientes de trabalho são agitados e barulhentos, o som do toque do telefone é agressivo.

O homem criou o barulho e matou o silêncio.


Vinho – foto

Dezembro 8, 2008

Outro dia tirei essa foto em casa, à noite, com pouca iluminação. Uma exposição mais longa compensou a falta de luz. Eu, pelo menos, gostei do efeito.

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