A Cidade dos Vidros, de Arnaldur Indridason

Outubro 29, 2008

Escrevi uma resenha sobre o livro “A Cidade dos Vidros”, que terminei de lei. O texto está no site Shvoong, onde o internauta encontra outras resenhas minhas. Para ler, clique aqui.

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“A Cidade dos Vidros” começa como muitos livros policiais – e, por conseqüência, filmes do gênero. Detetives chegando na cena do crime, um corpo sem vida em um apartamento, um detalhe intrigante. Alguns clichês básicos, na costumeira análise dos críticos de cinema. Nos capítulos seguintes, o leitor se depara com a tradicional história do detetive em busca não apenas do assassino, mas também atrás dos motivos de um crime cuja explicação parece distante. Aos poucos, porém, “A Cidade dos Vidros” começa a surpreender e se revela um livro de primeira linha do escritor islandês Arnaldur Indridason.

A leitura é fácil, mas o texto está longe de cair nos lugares comuns das obras policiais. A história, que se anuncia simples no início, torna-se complexa. Personagens novos entram em cena, o passado da vítima começa a vir à tona, os motivos, aos poucos, emergem em parágrafos interligados com habilidade pelo autor. O leitor acompanha os passos do protagonista, o detetive Erlendur, e volta ao passado da vítima em busca das razões que o levaram à morte.

A história se passa na Islândia, um pequeno país no mar gelado do Atlântico Norte. As cidades com nomes esquisitos, assim como os personagens de nomes igualmente estranhos, ocupam as páginas de “A Cidades dos Vidros”, um livro com texto direto e, tal como afirma uma citação do jornal inglês The Times na capa, uma “leitura eletrizante”. Vale à pena ler. Não é nenhum clássico, mas Arnaldur Indridason nos presenteia com um belo livro policial, infinitamente superior a muito best-seller vendido como se fosse uma obra-prima.


A Cidade dos Vidros – trecho

Outubro 28, 2008

Um pequeno trecho do livro “A Cidade dos Vidros”, do islandês Arnaldur Indridason.

- As crianças são filósofos – disse ele. – Minha filha me perguntou um dia no hospital por que nós temos olhos. Eu respondi que era para podermos ver.

Einar se calou.

- Ela me corrigiu – disse ele como que para si mesmo.

Olhou para Erlendur.

- Ela falou que era para podermos chorar.


Personagens da casa

Outubro 27, 2008

Eles chegaram e foram tomando conta dos espaços. São donos de quase tudo; restam apenas alguns cantinhos intocáveis. São eles: o Petit, que só atende pelo nome de Petrúquio, e a Amelie, que raramente atende pelo seu nome.

Petit

Petit

Amelie

Amelie


Chuva sem fim

Outubro 27, 2008

O impacto da chuva varia. As longas horas de interminável chuva que começou no sábado e se estendeu até o começo da tarde de domingo deixaran meus pés encharcados, mas fora isso ela não me afetou. De resto, só vi a água caindo da janela.

No domingo á noite, começei a ver os relatos de danos causados: gente deixando casas em vários pontos do Estados, rio transbordando, terras deslizando, estradas obstruídas, casas sendo inundadas, prejuízos, etc..

Na manhã desta segunda-feira, o problema se tornou real. Duas unidades administradas pela Codeca, empresa na qual trabalho, foram atingidas por um deslizamento de terra, que desviou um córrego e levou a água a causas sérios estragos.

Ou seja, quando chove como no final de semana, o impacto sempre existe.


Males do capitalismo

Outubro 25, 2008

O capitalismo venceu o comunismo e até o socialismo no que se refere a estruturação econômica. O modo de produção, até em países com governos de esquerda ou autoritários, segue basicamente o mesmo padrão, o da lógica do mercado.

Isso, porém, não significa que tudo esteja certo neste modelo econômico que domina o planeta. Falta um pouco de organização ao sistema, o que resulta em custos e, principalmente, em prejuízos ambientais consideráveis.

Um exemplo: o transporte de mão-de-obra por grandes distâncias. Diariamente, milhares e milhares de pessoas em todo o mundo se deslocam grandes distâncias para trabalhar. Com isso, gasta-se energia (o petróleo, sabemos, vai acabar algum dia), o trânsito vira um caos e as emissões de CO2, responsáveis pelo aquecimento global, vão às alturas.

Na sexta-feira, presenciei isso. Fui a Farroupilha dar uma palestra sobre meio ambinte e retornei a Caxias do Sul com uma van com funcionários da empresa. A van fez uma volta enorme e, uma hora depois de ter saído, cheguei a Codeca, onde trabalho. Nesse meio tempo, a van passou por vários bairros de Caxias do Sul (Santa Lúcia, Fátima, Sagrada Família, Jardim Eldorado e outros) e foi largando o grupo em casa. Os últimos da linha perderam cerca de uma hora no trajeto, os primeiros um pouco menos.

Mas não deixa de ser estranho. Diariamente, inúmeras pessoas de Caxias do Sul se deslocam para trabalhar em Farroupilha; outras centenas deixam Farroupilha para trabalhar em Caxias do Sul. Ambos fazem mais ou menos as mesmas coisas – metalúrgicos, por exemplo, “trocam” de cidade para trabalhar. Ainda assim, essa rotina não apenas persiste, como ganha força. Cada vez mais pessoas se deslocam grandes distâncias para trabalhar.


A crise vai chegar

Outubro 24, 2008

A crise vem aí, e não há muito o que fazer. Na verdade até há, mas o comportamento das pessoas tende a ampliar os efeitos perversos daquilo que começou com a expectiva de que várias pessoas que tinham comprado casas nos Estados Unidos não iriam conseguir honrar seus compromissos. O medo das pessoas vai, com toda a certeza, acentuar a crise.

Os sinais daquilo que já foi chamado de “marolinha” por Lula vai ter um impacto na vida das pessoas estão aí. Empresas, com medo da recessão, estão adiando investimentos, embora nada tenha mudado ainda no dia-a-dia delas. Pessoas, com medo de perderem o emprego ou verem a renda despencar, estão deixando de comprar e, com isso, interferindo no fluxo econômico.

O reflexo é inevitável. Com menos investimentos e menos compras, a atividade econômica tende a se reduzir. Como os sinais de que alguns países do primeiro mundo vão entrar mesmo em recessão, a desaceleração tende a ser maior. O efeito é semelhante a um dominó. A cada notícia ruim, cresce o medo das pessoas e empresas e, assim, mais dinheiro deixa de circular.

Até se quebrar esse efeito, tudo tende a piorar. O que mudar esse cenário? A meu ver, duas coisas:

1) A eleição de Barack Obama; e

2) A percepção de que a crise é mais de confiança do que realmente econômica.

Mas se isso não ocorrer, a crise será grave.


Vote para presidente dos EUA

Outubro 22, 2008

Brasileiro, pelo jeito, adora votar. Encontrei um site em que é possível votar para presidente dos Estados Unidos, em Barack Obama ou John McCain. Na noite desta quarta-feira, os brasilerios lideravam na votação em número de votos, à frente até dos Estados Unidos.

Quer votar também? O site é The World For.

Até o começo desta quarta-feira, o mapa-múndi era quase todo azul; ou seja, a maioria estava votando em Obama. Só alguns países, com um número pequeno de votos, estavam escolhendo o candidato republicano.


A vantagem de Obama

Outubro 21, 2008

Daqui a duas semanas, no dia 4 de novembro (uma terça-feira), os norte-americanos vão às urnas para escolher entre Barack Obama e John McCain para presidente dos Estados Unidos. A julgar pelas últimas pesquisas, vai ser uma eleição apertada em termos percentuais, mas em números de votos no colégio eleitoral Obama tem tudo para ganhar bem.

Para vencer as eleições, o candidato precisa alcançar os 270 votos no colégio eleitoral. Cada estado tem um número x de votos, dependendo da população. O vencedor leva todos. Ou seja, pegando como exemplo a Flórida, um estado em que a disputa está acirrada, quem vencer leva os 27 votos; ao perdedor, nem bananas ou batatas, simplesmente nada.

Pela contagem feita em pesquisas, Obama está na frente.  Nos Estados em que a disputa está virtualmente definida, com larga vantagem para um ou outro, Obama soma 192 votos, contra 155 de McCain. Nos Estados em que a disputa está em aberto, mas com vantagem para um dos candidatos, Obama também está na frente: 81 a 30. Os outros 76 votos estão indefinidos, com a disputa parelha – em um claro empate técnico.

Ou seja, se Obama confirmar a vitória nos estados em que ele está muito bem e nos quais ele está em vantagem, ele soma 277 votos, o suficiente para ser presidente: McCain soma 185 nessa contagem.

Faltando duas semanas, Obama está bem; e McCain precisa de uma reação histórica para conquistar a presidência.

Em eleições, tal como no futebol, tudo é possível. Inclusive zebras.


Provocação

Outubro 21, 2008

Na segunda-feira, Juca Kfouri deu o Grêmio como morto na disputa pelo título do Brasileirão, mais, afirmou que o tricolor sequer irá para a Libertadores. Previu, também, que o São Paulo será o campeão.

Não é análise fria, é provocação de corintiano, talvez tentando reanimar o tricolor gaúcho e impedir, assim, que Palmeiras ou São Paulo, os dois grandes rivais do Corinthians, levantem o troféu do Brasileirão 2008.

Dar o Grêmio de morto a essa altura vai contra a lógica. Ainda mais com o passado de reações do clube gaúcho, várias delas reverenciadas por Kfouri.


Lista sem sentido

Outubro 20, 2008

Leio no Uol que o sindicato mundial dos jogadores profissionais selecionou 55 atletas, compondo uma seleta lista dos melhores do planeta na temporada 2007-2008 (ou seja, entre agosto de 2007 e junho deste ano). Aparecem estrelas, muitas estrelas, algumas até sem explicação alguma.

É o caso de Ronaldinho Gaúcho, que integra a tal lista. Ronaldinho Gaúcho quase não entrou em campo na temporada passada, quando (pouco) defendeu o Barcelona. Quase não marcou gols, não incomodou os marcadores e passou um tempão ou lesionado ou na reserva. Jogou algumas vezes pela seleção brasileira, mas pouco fez. Na verdade não jogou, vestiu o uniforme, entrou em campo e deu alguns toquinhos para o lado.

Esse é um resumo da temporada 2007-2008 do jogador.  Isso não quer dizer que ele não seja craque, só não o foi no período em análise. Mesmo assim, Ronaldinho Gaúcho aparece na lista, junto com outros três brasileiros – Kaká, Daniel Alves e Lúcio. Os demais não pegaram time. Nenhum que atua no Brasilpegou lista, embora muitos tenham produzido muito mais do que Ronaldinho entre agosto de 2007 e junho de 2008.

As listas, ao que parece, são idiotices. Não indicam os melhores, apenas os famosos.


O que está errado com a democracia?

Outubro 19, 2008

A ideologia ocidental vende a democracia como o único regime aceitável, por uma série de razões, principalmente porque, na teoria, permite a alternância de grupos no governo. Mas, me parece, há algo de errado no jogo da democracia. O objetivo pode ser nobre, mas os meios usados são os mais baixos possíveis.

Alguns exemplos:

1. Em São Paulo, Marta Suplicy usou de baixarias para atacar o seu rival, questionou sua vida pessoal e imprimiu, inclusive, um panfleto acusando Kassab de querer derrubar o governo Lula.

2. No Rio, o PT, fora do segundo turno, assumiu a impressão de panfletos sem identificação que falavam mal do candidato do PV, Fernando Gabeira.

3. Nos Estados Unidos, a direita utiliza golpes baixos para tentar impedir a vitória de Barack Obama. Em um outdoor, Barack aparece como se fosse árabe, tentando ligá-lo ao terrorismo.

4. Ainda nos Estados Unidos, Obama utiliza milhões de dólares em anúncios publicitários, vendendo a sua candidatura como se fosse uma mercadoria, tipo um refrigerante ou um carro.

Fico nos quatro exemplos, mas eles se repetem a exaustão. A democracia depende de eleições limpas, com métodos e campanhas limpas, o que em muitos casos não ocorre.

É uma distorção da democracia.


Uma folha

Outubro 19, 2008

Uma imagem para relaxar e, também, para sempre lembrarmos que precisamos cuidar do meio ambiente.


Por que esquecemos as coisas?

Outubro 17, 2008

Comigo isso acontece volta e meia. Posso me precaver, tomar todos os cuidados possíveis, mas inevitavelmente a cena se repete. O celular, a chave do carro, um livro, uma caneta, um bloco de anotações, não importa o que seja, mas volta e meia isso fica pela caminho.

O celular, até pela necessidade que temos dele, é o exemplo mais claro. Um dia esqueci o meu celular do trabalho em casa; ele tocou várias vezes, sem ser atendido. Outro dia foi almoçar no restaurante próximo de casa. Almocei, comi a sobremesa, paguei e voltei para casa. Joguei-me alguns minutos no sofá, para descansar. Meia hora depois, levantei e comecei a juntar as coisas para volta ao trabalho. Carteira aqui, chave do carro ali, e cadê o celular? Procurei aqui, acolá e nada. Liguei para ele. Tocou uma vez, duas vezes e, na terceira, uma mulher atendeu. Ela a proprietária do restaurante.

Voltei lá, recuperei o meu celular e voltei ao trabalho. Com a certeza de que não foi a última vez que isso ocorreu. Quando vai ser a próxima?


Dias nublados

Outubro 16, 2008

Há dias nublados, com chuvas no caminho, e isso não ocorre apenas no sentido literal. É no simbólico também. Essa minha semana parece como a do tempo, sem grandes alegrias, sem um sol a iluminar o dia-a-dia e a facilitar a jornada.

Mas, tal como ocorre no tempo, o sol sempre volta a brilhar. Pode demorar até um dia ou dois a mais, mas ele sempre dá as caras.

Felizmente.


Baixaria na campanha

Outubro 14, 2008

Maior cidade do país, São Paulo viu a campanha à prefeito ir para a baixaria. E, a julgar pelas reações, quem optou pela baixaria corre o risco de sair perdendo – e feio.

A campanha de Marta Suplicy, a candidata do PT, colocou no ar uma propaganda em que questiona a vida privada de Kassab. Pergunta: “Sabe se ele é casado? Tem filhos?”

Até gente que adora o “bateu, levou”, como o ex-ministro José Dirciu, criticou a peça. Pessoas mais ponderadas, como Eduardo Suplicy, nem se fala então.  Kassab, no seu papel, se fez de vítima, e soube explorar o episódio a seu favor.

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Se a eleição de Marta era difícil, ficou mais ainda. Ainda mais se Kassab souber usar a vantagem que tem e explorar o desespero da rival.