A Amazônia na mídia

Setembro 30, 2008

O demastamento na Amazônia em agosto, que se estendeu a 756 quilômetros (quase a metade da área do município de Caxias do Sul), virou notícia em vários jornais e sites do mundo. O Guardian, jornal londrino, deu o título “Governo brasileiro enfrenta acusações criminais sobre deflorestamento amazônico”, ao tema. A matéria, em inglês, pode ser lida aqui. O NY Times deu uma nota no jornal impresso e a CNN também destacou a notícia.

Por aqui, a Zero Hora saiu com o título: “Assentamentos do Incra lideram desmatamento“. Já o Pioneiro, destacou a investida contra o desmatamento por parte do showman Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, em um canto de uma página e sem chamada na capa ou contracapa.


Derrubando a Amazônia

Setembro 29, 2008

Aqui em Caxias do Sul teve gente que gritou – com uma dose de razão, é preciso salientar – quando 630 árvores foram derrubadas no Parque da Festa da Uva, para construção de uma cancha de rodeios. Para compensar o dano ambiental, um número várias vezes superior ao corte de árvores foi plantado pela administração municipal.

Mas será que essas mesmas pessoas que gritaram com derrubada dessas árvores vão gritar com o desmatamento na Amazônia. Ou vão ficar quietas, como se nada estivesse ocorrendo? Vão escrever para o Pioneiro mostrando a sua indignação, ou vão se calar?

Na Amazônia, só no mês de agosto, foram desmatados 756 quilômetros quadrados, segundos dados divulgados nesta segunda-feira. Só para se ter uma comparação, Caxias do Sul tem uma área de 1.643 quilômetros quadrados, segundo página no Wikipedia. Ou seja, a área desmatada representa quase metade do tamanho de Caxias do Sul, um município de dimensões gigantescas.


A veia antidemocrática do PT

Setembro 29, 2008

O PT nasceu nos tempos da ditadura, combatendo a ditadura. Lula estava lá, assim como alguns outras figuras histórica do Partido dos Trabalhadores. É uma história que merece respeito, foi importante na luta pela democracia tupininquim.

Mas a luta pela democracia não é um exercício tão fácil como combater uma determinada ditadura. Requer aceitar o outro lado, algo que parece difícil para uma ala do PT. Há aqueles que, pelo discurso, acreditam de pés juntos que o mundo começou com o PT e vai terminar com ele. Nada foi feito antes, nada será feito depois.

Tem, também, aqueles que têm dificuldades em aceitar que a democracia é feita de dois lados. Um exemplo: neste domingo, um amigo meu participava da carreata do Sartori. Em um determinado ponto, no São José, alguém atirou um ovo de um prédio, acertando na porta do fusca dele. Das duas uma: ou para esse sujeito democracia é agredir o outro, ou ele quer mesmo implantar uma nova ditadura, com o discurso da linha Tarso Genro.


Domingo de rivalidade

Setembro 28, 2008

Por qualquer lugar que você andasse nesse domingo, era inevitável ver alguém com a camisa colorada ou gremista. Adultos ou crianças, homens ou mulheres, a rivalidade estava escancarada neste dia de sol e temperatura agradável. Às vezes, a rivalidade andava juntos, era compartilhada. Com crianças, uma de vermelho e outra de azul, brincando juntas, casais unidos pelo amor e adversários na hora do futebol.

Ver os dois lados juntos, embora separados por uma paixão quem não tem muito de lógica, é uma das coisas mais bonitas e agradáveis. É assim que deve ser. Somos iguais, parecidos em uma série de coisas, mas igualmente deferentes em diversos aspectos. Conviver com o diferente é importante, nos torna mais humanos, nos torna completos.

Vi isso hoje, no futebol, antes de a bola rolar no Beira-Rio; é importante que isso continue após o resultado, favorável ao Inter.


Luz e penumbra

Setembro 28, 2008


Provocações

Setembro 28, 2008

Neste sábado, às 14h, fui em uma reunião para darem dicas aos fiscais que irão trabalhar nas eleições do dia 5 de outubro. Uma aula básica sobre como se comportar e como proceder no dia em que os caxiense vão escolher o prefeito para comandar a cidade entre 2009 e 2012.

Logo no início, apareceu um sujeito na porta da sede do PMDB, com uma mochila nas costas e um retrovisor usado na mão. Sem identificação alguma. Começou a falar sobre ter alegria, depois passou a provocar e, no final, disse que só estávamos na prefeitura pelos votos de um determinado lugar – que, desconfio, está longe de ter os 11 mil votos de diferença que Sartori teve sobre o candidato do PT nas eleições passadas.

A turma pediu para ele ir embora, mas ele insistiu na confusão, começou com alguns xingamentos. Depois, talvez um pouco acuado pelo número de pessoas que chegavam, decidiu dar o fora. Uma tática comum de provocação adotada nesta campanha. E ele não estava sozinho. Próximo dali, um carro branco acompanhava a cena, tentando, provavelmente, criar uma confusão e, depois, propagar algum boato, como de costume.


Feira do Livro

Setembro 25, 2008

Nesta sexta-feira, abre a Feira do Livro de Caxias do Sul. Uma vez era pequena, evento de cidade do interior, mas agora a realidade é outra. É uma feira considerável, com um número grandes de livrarias e editoras comercializando livros, várias sessões de autógrafos e alguns lançamentos. Até estrelas da literatura nacional começam a mostrar a cara na praça Dante Alighieri.

Neste ano, não terei muito tempo para a feira, pelo menos nesta primeira semana. Outras tarefas e obrigações vão ocupar toda a minha agenda pelo menos até o domingo, dia 5 de outubro. Depois, são outros 500. Então, que a Feira me espere um pouco. Mas que eu vou, eu vou.

E pretendo comprar algumas coisas, em especial algum livro de ficção científica. Alguém tem alguma dica de uma obra interessante?


A meia-verdade

Setembro 24, 2008

Na Faculdade de Jornalismo, tive um professor de sociologia que dizia que a meia-verdade tinha um poder infinitamente maior do que uma mentira. As mentiras, argumentava, são mais fáceis de identificar; as meia-verdades se travestem de verdadeiras, mas representam um visão distorcida e enganosa da realidade. O cara inteligente e bem informado sabe detectá-las, mas o público comum cai, por vezes, neste conto e é enganado.

Nesta quarta-feira, tivemos um exemplo de um material, distribuído por grupo de partidários de Pepe Vargas, o candidato do PT, aos funcionários da Codeca. Distingue o “Eles” e o “Nós”. O “Eles”, é claro, fala mal do Sartori, o coloca ao lado de FHC, Brito e Yeda. O “Nós” mostra Pepe ao lado de Lula, como se ele fosse o cara bonzinho, que só faz o que é correto.

Ao “Nós”, Pepe Vargas, o candidato do PT, poderia incluir, apenas para citar um exemplo, que quase levou a Codeca à falência; não o fez. Poderia também ter citado que defendeu a privatização do Aterro Sanitário, mas também não o fez. Poderia também, vale lembrar, ter ressaltado que o seu partido, o PT, foi o partido do mensalão, mas ele também pulou essa parte.


Arte popular ou vandalismo?

Setembro 24, 2008


O culpado é o juiz

Setembro 24, 2008

No futebol se ganha, se perde ou se empata. Às vezes porque o adversário é ou jogou melhor, outras porque um determinado time não jogou bem, falhou na marcação ou finalizou mal ou porque aquela bola, que deveria ter entrado, bateu na trave. Faz parte do futebol, um esporte dinâmico – o que ajuda a explicar porque ele se tornou o mais importante do planeta.

Apesar de todas essa vivacidade, é impressionante como um personagem acaba, quase sempre, virando o centro da atenção: o juiz, o homem de preto (não necessariamente de preto, já que eles vestem uniformes de outras cores hoje em dia). Não há um jogo que ele não tenha destaque, mesmo que sua influência sobre o resultado tenha sido mínima ou, em vários casos, zero. Mas sempre sobra para ele.

A nossa preocupação com o árbitro é tamanha que as emissoras de TV têm um cara específico para falar da arbitragem (sempre com o replay, é claro, para evitar deslizes), que dá mais palpite do que o cara que comenta o jogo, analisa o desempenho dos dois times. Às vezes, parece que a transmissão não está preocupada com o jogo, mas com o juiz.

Nesse cenário, aparece um lance capital: o pênalti. Não há jogo em que um time não reclama de um pênalti marcado ou não marcado. Se o juiz erra a favor, tudo bem: se for contra, é uma saraivada de críticas. Se o lance for polêmico, é inevitável: o lado que se sente prejudicado grita, promete mandar o VT do jogo para a CBF e o STJD. A malandragem dos nossos boleiros só intensifica essa queixa, já que não há jogo em que algum atacante tente enganar o juiz, mesmo que isso signifique deixar de concluir uma jogada e marcar o gol.

O árbitro virou uma obsessão nacional. Um pouco por culpa deles próprios, já que há muitos árbitros que podem ser considerados fracos. Mas a culpa maior é nossa, que transferimos, em inúmeros casos, a responsabilidade para eles.

Se o time é ruim, o atacante maltrata a bola, o meia não acerta o passe e o zagueiro de vez em quando acerta o balão, por que sempre culpamos o juiz pelos reveses do nosso time? Por que perdoamos o gol que o nosso atacante perde embaixo da trave e condenamos o juiz por errar na marcação de um escanteio ou até mesmo um lateral?

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Isso me lembra um jogo já bastante antigo, dos anos 80, no Beira-Rio. Inter x Botafogo, com um bom número de torcedores. No primeiro tempo, o Inter dominou e fez 1 a 0. No segundo, a equipe colorada parou e o Botafogo começou a se impor, buscando o empate. A cada falta que o juiz marcava contra o Inter, o narrador se irritava e o torcedor se erguia na arquibancada, xingando o homem de preto (naquele época, com o fardamento preto).

O Botafogo não empatou, única razão de o juiz não ter sido crucificado por sua atuação naquele dia. Eu saí do estádio convicto de que ele tinha ido bem, e se o Botafogo tivesse empatado, não teria sido por culpa dele, mas sim por causa da queda de produção do Inter.

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O nosso problema com o árbitro é antigo.


A tartaruga ganhou

Setembro 23, 2008

A Justiça Brasileira, diz o ditado popular, é lenta. Mas eu não desconfiava que fosse tão lenta assim, a ponto de perder para o andar de uma tartaruga.

Nesta quarta-feira, o STF vai julgar um caso que tramita há 26 anos. Isso mesmo, 26 anos. A matéria eu encontrei no site do Globo e pode ser lida aqui. Trata de uma questão de disputa de terra, entre uma tribo indígena e o homem branco, no Sul da Bahia.

Desconfio que o caso é candidato ao Guinness Book, o livro dos recordes.


Globalização das chacinas

Setembro 23, 2008

Primeiro, a cena se tornou comum nos Estados Unidos. Um estudante entediado, às vezes com problemas psicológicos, entrava numa escola e começava a atirar nos colegas, matando uns e ferindo outros. Há uma série de carros assim na terra do Tio Sam.

Dos Estados Unidos, a chacina se espalhou. Já ocorreram casos em vários países, como Alemanha, Inglaterra, Escócia, etc.. Nesta terça, houve mais uma, desta vez na Finlândia. Um aluno entrou numa escola e descarregou a sua ira sobre os colegas. Nove morreram.

É difícil encontrar uma resposta plausível para essas chacinas. Já se pesquisou bastante, cada caso é esmiuçado detalhadamente, mas o que se descobre não é nada revelador a ponto de explicar a tragédia: é sempre algum jovem, entediado, sem ter o que fazer, brigado com colegas, pais com dinheiro. São sempre situações normais, nunca uma razão para explicar a matança.

A vida, para esses adolescentes, virou um videogame. A dúvida não é saber se isso vai se repetir, a questão é saber quando.


Exemplo de Samso, Dinamarca

Setembro 22, 2008

Há pouco mais de um mês, escrevi um post sobre o que a Dinamarca fez para se livrar da dependência do petróleo, citando um texto de Michael Friedman, colunista do New York Times. O título: Exemplo Dinamarquês.

Nesta segunda-feira, encontrei imagens de uma ilha dinamarquesa, de nome Samso, com 4,1 mil habitantes, que utiliza apenas energia limpa:  solar e eólica. O material é do jornal inglês The Guardian. Confira aqui.

É mais um bom exemplo de que, com uma política ambiental ousada e boa vontade, é possível se fazer muito para proteger o meio ambiente.


Paul Simon

Setembro 21, 2008

Outro dia estava ouvindo Surprise, CD de Paul Simon lançado em 2006. É um trabalho agradável, bom de se ouvir. Gosto muito, mostra o trabalho apurado e criativo do músico, tanto nas letras como nos arranjos. Vale destacar, em especial, a música Wartime Prayers.

Ao ouvir o CD, me deu vontade de voltar ao passado. Coloquei “Graceland”, para mim a obra-prima de Paul Simon, no computador. Surprise é bom, Graceland é ótimo.


Cavalgando sob o efeito do álcool

Setembro 20, 2008

Pensava que apenas motorista guiava sob o efeito do álcool; essa tese foi para o espaço na manhã deste sábado, dia 20 de setembro, data da Revolução Farroupilha. E veio justamente com os gaúchos de bombacha.

Estava saindo para almoçar, perto das 11h30min. Entrei na Sinimbú e peguei a Coronel Flores, em direção à Júlio de Castilhos. O sinal fechou e, à frente dos motoristas, passou uma tuma de gaúchos pilchados, sob o lombo do cavalo. Vários deles estavam com latinhas de cerveja na mão, bebendo como se fosse um chimarrão bem bom.

Estava sem a minha digital, senão teria fotografado, só para postar aqui.

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Sorte que Tarso Genro, o ministro de uma pasta chamada Justiça (no caso, um nome orwelliano), não andava por Caxias do Sul e está preocupado com outros problemas. Não fosse isso, ele já criava uma lei, multando o sujeito, recolhendo o cavalo e tirando do dono a licença de cavalgar por um ano.

Mas é bom não espalhar muito o fato.