No futebol se ganha, se perde ou se empata. Às vezes porque o adversário é ou jogou melhor, outras porque um determinado time não jogou bem, falhou na marcação ou finalizou mal ou porque aquela bola, que deveria ter entrado, bateu na trave. Faz parte do futebol, um esporte dinâmico – o que ajuda a explicar porque ele se tornou o mais importante do planeta.
Apesar de todas essa vivacidade, é impressionante como um personagem acaba, quase sempre, virando o centro da atenção: o juiz, o homem de preto (não necessariamente de preto, já que eles vestem uniformes de outras cores hoje em dia). Não há um jogo que ele não tenha destaque, mesmo que sua influência sobre o resultado tenha sido mínima ou, em vários casos, zero. Mas sempre sobra para ele.
A nossa preocupação com o árbitro é tamanha que as emissoras de TV têm um cara específico para falar da arbitragem (sempre com o replay, é claro, para evitar deslizes), que dá mais palpite do que o cara que comenta o jogo, analisa o desempenho dos dois times. Às vezes, parece que a transmissão não está preocupada com o jogo, mas com o juiz.
Nesse cenário, aparece um lance capital: o pênalti. Não há jogo em que um time não reclama de um pênalti marcado ou não marcado. Se o juiz erra a favor, tudo bem: se for contra, é uma saraivada de críticas. Se o lance for polêmico, é inevitável: o lado que se sente prejudicado grita, promete mandar o VT do jogo para a CBF e o STJD. A malandragem dos nossos boleiros só intensifica essa queixa, já que não há jogo em que algum atacante tente enganar o juiz, mesmo que isso signifique deixar de concluir uma jogada e marcar o gol.
O árbitro virou uma obsessão nacional. Um pouco por culpa deles próprios, já que há muitos árbitros que podem ser considerados fracos. Mas a culpa maior é nossa, que transferimos, em inúmeros casos, a responsabilidade para eles.
Se o time é ruim, o atacante maltrata a bola, o meia não acerta o passe e o zagueiro de vez em quando acerta o balão, por que sempre culpamos o juiz pelos reveses do nosso time? Por que perdoamos o gol que o nosso atacante perde embaixo da trave e condenamos o juiz por errar na marcação de um escanteio ou até mesmo um lateral?
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Isso me lembra um jogo já bastante antigo, dos anos 80, no Beira-Rio. Inter x Botafogo, com um bom número de torcedores. No primeiro tempo, o Inter dominou e fez 1 a 0. No segundo, a equipe colorada parou e o Botafogo começou a se impor, buscando o empate. A cada falta que o juiz marcava contra o Inter, o narrador se irritava e o torcedor se erguia na arquibancada, xingando o homem de preto (naquele época, com o fardamento preto).
O Botafogo não empatou, única razão de o juiz não ter sido crucificado por sua atuação naquele dia. Eu saí do estádio convicto de que ele tinha ido bem, e se o Botafogo tivesse empatado, não teria sido por culpa dele, mas sim por causa da queda de produção do Inter.
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O nosso problema com o árbitro é antigo.