Bagdad Café

Agosto 30, 2008

Revi – ou vi, já que não lembrava de quase nada do filme – Bagdad Café neste sábado. Dirigido pelo alemão Percy Adlon, com a alemã Mariane Sägebrecht como protagonista, é uma obra tocante que vale ser vista ou revista. É, também, uma lição de vida.

A história se passa no deserto de Mojave, entre a Califórnia e o Nevada. A personagem interpretada por Mariane briga com o marido e acaba sozinha na estrada. Vai parar no Bagdad Café, uma espelunca de beira da estrada que, apesar da resistência da dona, ela começa a recuperar. Aos poucos, a alemã transforma o lugar e as pessoas.

A sequencia mais tocante é a da alemã limpando o lugar, depois que a proprietária vai fazer compras. Quando a nova volta, ela fica furiosa com a alemã, queria a sua bagunça de volta.

A cena me remeteu a um fato ocorrido neste sábado à tarde. Estava no bairro Pioneiro, junto com o fotógrafo Maicon Damasceno, acompanhando o prefeito José Ivo Sartori.  A sede bateu e perguntámos onde havia um lugar para comprar uma água.

- Na rua em frente, dobra a direita – orientou um menino.

Fomos lá. O Maicon entrou. Pediu água com gás. A dona disse que não tinha. Ele pediu água. Não tinha.

- Só tem Coca-Cola – disse a dona.

- Garrafa de 600 ml? – perguntou o Maicon.

- Não, só latinha – respondeu a dona.

Maicon pediu a latinha. A dona foi lá, procurou na geladeira e nada encontrou.

- Só tem Coca quente.

Maicon ainda pediu se ela tinha algum outro refrigerante na geladeira, mas a resposta também foi um não. Fomos embora com sede.

Falta a alemã do Bagdad Café ali para ajeitar as coisas.


Pioneiro imparcial?

Agosto 29, 2008

A cobertura do jornal Pioneiro desta sexta-feira sobre o dia dos candidatos à prefeito de Caxias do Sul é sugestiva. Terá sido apenas um equívoco do editor ou foi intencional? Independentemente disso, foi um tiro na propalada imparcialidade.  Confira os dois textos:

Primeiro do candidato do PT, com o título “Pepe caminha no Mariani”:

“O candidato da Frente Popular, Pepe Vargas (PT), intensificou o corpo-a-corpo ontem em caminhada no bairro Mariani. Durante o percurso, o petista posou para fotos e ouviu reivindicações dos moradores, que pedem maior atenção às especialidades médicas.
No caminho, teve momentos de descontração. O desempregado Paulo Dagoberto Borges Moreira, 48 anos, fez truques com palitos de fósforos, colorindo-os com movimentos das mãos.
As manifestações dos eleitores foram expressas de diversas formas. Uma moradora classificou o candidato de “o nosso novo prefeito”. Na saída da Unidade Básica de Saúde (UBS) Mariani, Pepe parou para ouvir as queixas da auxiliar de produção Marli Schnaider, 33.
- É preciso estar às 6h na fila para tentar consultar. Mesmo assim, às vezes faltam fichas. O bairro também precisa de médicos especialistas. Sofri com depressão e não tinha psiquiatra na UBS – relatou a auxiliar de produção.
Ao ver Pepe caminhando na rua, o auxiliar de produção Eraldo Donizetti, 35, parou a sua moto, abriu o voto e fez elogios. Pepe agradeceu e não só entregou o adesivo solicitado pelo eleitor como ele próprio colou-o na moto.
O candidato não se descuidou dos chamados de eleitores, como ocorreu com o artista plástico e decorador Jones Carvalho, 37.
- E aí, tio Pepe, está voltando para nós? – indagou.”

Agora o texto sobre o candidato da coligação Caxias para Todos, com o título “Sartori atarefado”:

“O candidato da coligação Caxias para Todos, José Ivo Sartori (PMDB), teve que correr ontem para cumprir compromissos na prefeitura e de campanha. Ao meio-dia, visitou uma fábrica. À tarde, esteve com moradores do interior no Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Às 19h, o candidato foi ao Legislativo, onde ocorreu uma sessão solene pelo centenário da Umbanda, mas logo deslocou-se a Vila Cristina para um encontro com eleitores. Sartori ainda iria visitar uma feira no bairro São Ciro e encontrar um grupo de escoteiros, mas cancelou.”

Não termina aí a edição parcial.  As fotos repetem a distorção: o candidato do PT está ao lado de pessoas, conversando; Sartori aparece sozinho, já de noite.

Diz a regra jornalística que é dever dos jornais serem críticos e imparciais. Regra nem sempre cumprida, vale salientar.


Eleição quase sem mídia

Agosto 28, 2008

No Brasil, parte da eleição passa bem distante da mídia. Tudo bem, os candidatos a prefeito ainda recebem alguma atenção, principalmente na reta final. Fora isso, há pouca discussão. A TV quase não aparece, as rádios fazem uma cobertura tímida e os jornais tentam conduzir o rumo da discussão a seu contento, sem de fato se aprofundar ou analisar o que está ocorrendo.
Se a situação já é precária na disputa majoritária, imagina para vereador. Não há cobertura sobre aqueles que concorrem a uma vaga na Câmara de Vereadores. Se depender da mídia, o leitor não saberá o que um ou outro candidato pensa, fez ou planeja fazer se acaso for eleito. Isso é ruim porque beneficia quem já é conhecido, quem teve acesso à mídia meses antes.
A legislação em vigor piora ainda mais a situação. Com todas as limitações para se fazer campanha, quem não contar com uma boa estrutura e não for conhecido tem chances limitadas de se eleger. Torna-se quase um milagre.


A voz dos radicais

Agosto 28, 2008

A verdade não tem uma definição precisa ou fácil, mas pode se afirmar que ela não costuma estar nos extremos. Está mais para o meio, pendendo para um lado ou outro, mas dificilmente está em uma das pontas. Mesmo assim, os radicais se autodenominam os donos da razão.

Dois exemplos de radicalismo que encontrei no UOL nesta semana. O tema: o aquecimento global.

Primeiro, na terça-feira, o arauto defensor da direita João Pereira Coutinho, colunista da Folha de S.Paulo, mirou os que afirmam que o homem é o responsável para o aquecimento global. Com base num livro escrito por Nigel Lawson, Coutinho ataca: “A moda do aquecimento global foi sobretudo adotada por órfãos do marxismo, que substituíram uma religião secular por outra. Hoje, o verde é o novo vermelho.”

Nesta quinta-feira, o exemplo do “outro lado”: um texto do Der Spiegel, com base numa pesquisa realizada por um alemão defensor dos direitos do consumidor, acusando a carne bovina de contribuir para o aquecimento global. Sobrou para as vaquinhas. Diz um parágrafo do artigo: “Independentemente de serem criadas de forma convencional ou orgânica, uma coisa que as vacas têm em comum é que arrotam e peidam sem contenção. Como todos os ruminantes, as vacas estão constantemente emitindo metano – um gás do efeito estufa que é 23 vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono – por ambos os lados. Tão malcheirosas quanto as dos porcos, são as emissões gasosas de bilhões de bovinos, cabras e ovelhas que estão contribuindo para o aquecimento global.”

São os dois extremos: um se negando a ver as evidências já comprovadas por mais de 90% dos cientistas deste planeta, o outro vendo um monstro onde há apenas uma vaquinha indefesa. A verdade, desconfio, não está nem com um nem com o outro, embora os dois garantam que sim.

Não acredite, eles estão blefando. Ou pior…


Mais sobre cachorros

Agosto 28, 2008

Outro dia escrevi um relato sobre cachorros trilheiros, que nos acompanharam na caminhada pela Trilha do Gerivá, na Serra do Pinto. O caso me lembra uma história sobre meus irmãos gêmeos.

Na infância deles, em um determinado dia, um cachorro ferido apareceu na casa dos meus pais. Eles pegaram ele, cuidaram dele. Nunca mais aquele cão se desgrudou deles. Aonde eles iam, lá estava ele, feliz da vida, como se vivesse em um paraíso.

Os gêmeos cresceram, saíram de casa e o cachorro ficou lá. Mas bastava eles voltarem para casa que o cão estava lá, feliz como se eles sempre estivessem sempre ali.


Net, qualidade de serviço zero

Agosto 26, 2008

Parece que os serviços que assinamos, e pagamos caro, tem qualidade zero em determinados momentos. É assim com a NET, da qual tenho TV a cabo e Internet banda larga (dois megas).

Assinei o serviço há 10 meses, depois de repetidos problemas com a Brasil Telecom. Tinha um ADSL 600, mas a partir de um determinado momento não consegui mais navegar. Troquei para a NET, sem problemas por alguns meses.

De repente, porém, o serviço começou a piorar, como se o vinho tivesse virado vinagre.  Primeiro, problemas com a conexão à Internet ou o sinal na TV. Depois, lentidão, como se o acesso fosse discado. Sem contar que volta e meia tem um canal que não tem som – o último a ter esse problema é a Record (será que estão sabotando a TV do bispo Edir Macedo?).

E não adianta ligar. Ou não atendem, o que sempre ocorre quando o sinal está com algum problema, ou não sabem nada mesmo. Hoje, um colega meu teve um problema com eles. Ele descobriu que o valor da mensalidade não foi descontado, pelo sistema débito em conta. Ligou para lá. Depois de algumas tentativas – não foi na segunda ou terceira, asseguro -, foi atendido. Mandaram o procurar uma agência lotérica para pagar, mas como pagar se ele sequer tem uma conta com o código de barras? E vão descontar duas mensalidades num único mês?

Meu colega estava fulo da vida. Eu também não fico nada satisfeito com a banda larga na velocidade de uma conexão discada. Vejo muitos reclamarem do serviço, mas como as opções são pequenas e os planos de fidelidade longos em demasia, ficamos calados, quietos no nosso canto.

E assim eles seguem faturando seus milhões.


Dogs parceiros

Agosto 25, 2008

No trajeto da Trilha do Gerivá, realizado sábado por uma trupe de 13 adultos e duas crianças, três novos personagens se incorporaram à equipe na caminhada pela Serra do Pinto: um cachorro adulto e dois filhotes, um branco e outro preto.

Eles apareceram logo no início da caminhada. No início, pareciam apenas conferir o que aquele grupo de malucos fazia a pé no meio do nada. Aos poucos, eles foram se enturmando, acompanhando faceiros a trupe na jornada.

- Como eles vão voltar? – logo perguntou alguém.

Houve comentários, mas nenhum resposta precisa. Afinal, ninguém sabia até onde eles iriam nos acompanhar. Pequenos obstáculos, porém, deixaram claro que eles haviam adotado o grupo. Atravessaram um córrego, dois usando pedras para fugir da água e o outro mergulhando e nadando até o outro lado.

No meio do caminho, um ficou. Foi adotado por um “peão”. Os outros dois seguiram juntos, entraram na mata e apreciaram a paisagem da região. Lembro do pequeno, no pico da montanha, parando e contemplando o precipício.

Depois de sete horas de caminhada, chegamos ao fim do percurso, na Rota do Sol. A equipe e os dois novos integrantes.

- Esses são trilheiros – resumiu um.

De fato, mostraram um estilo aventureiro e foram adotados. Vieram juntos na van e ganharam um novo lar em Caxias do Sul. Talvez, no futuro, participem de outra caminhada. Afinal, eles mostraram que são parceiros nas subidas e descidas.

E encaram qualquer obstáculo.


Mais fotos do passeio

Agosto 24, 2008


Trilha do Gerivá

Agosto 24, 2008

Neste sábado, participei de um grupo que percorreu a Trilha do Gerivá, que percorre a Serra do Pinto, no Rio Grande do Sul. Ela começa num lugar chamado Fazenda dos Josafás, cujo acesso se dá pela estrada que vai a Cambará, e termina na Rota do Sol, antes da subida da Serra.

É uma caminhada cansativa, mas o visual é recompensador. Seguem algumas imagens.


Passeio pelos cânions

Agosto 22, 2008

Neste sábado, vou participar de uma caminhada nos cânions. Espero aguentar, já que estou um “pouco-bastante-muito” fora de forma.

Levarei a minha digital. Espero que o tempo esteja bom e que as fotos saem boas.

Depois, vou postar algumas aqui.


O ouro brasileiro

Agosto 22, 2008

As duas medalhas de ouro do país merecem ser festejadas. A saltadora Mauren Maggi (salto em distância) e o nadador  César Cielo (50 metros livres) alcançaram o topo em provas difíceis. Ambos venceram não apenas os rivais, superaram também as dificuldades impostas aos atletas brasileiros devido à falta de infra-estrutura.

Por isso, ambos merecem o parabéns. As vitórias foram de Mauren e Cielo, e não do COB ou dos cartolas tupininquis, os responsáveis diretos pelos fracos resultados obtidos em Pequim.


Frase interessante

Agosto 22, 2008

“Computadores talvez possam fazer o trabalho de uma dúzia de homens comuns, mas não existe máquina que consiga fazer o trabalho de um homem extraordinário.”

E. B. White, escritor norte-americano


Previsões do passado

Agosto 21, 2008

Outro dia prometi trazer informações sobre um livro, lá dos anos 50, sobre como seria o mundo nos anos 2000. O título do texto: “O Estranho Mundo do Ano 2000″. E como promessa é dívida, vou me livrar desse saldo negativo agora. Seguem algumas previsões que não se confirmaram, feitas a partir da visão do escritor Aldous Huxley.

Tempo - no ano de 2000, o homem não será mais escravo do tempo. Trabalhará próximo de seis horas a oito horas por dia e terá tempo livre de sobra para fazer o que quiser.

Violência - “Não existirá ou quase terá desaparecido o temperamento agressivo ou violento.” Haverá exceções, mas serão exceções.

Alimentação – “Nada de comida: pílulas”, diz um intertítulo. “O homem do futuro vai seguramente prescindir de alguns desses prazeres da boa mesa, ainda de isso pareça bastante insensato.” Outra parte: “Certamente essa alimentação se concentrará em pastilhas. Não haverá necessiade de cozinhar; não será preciso ir a lugares especiais para comer; tudo isso representa economia de tempo”.

Sono – “O homem do futuro não dormirá. Suprimirá as horas de sono com uma pílula que sendo ingerida lhe proporcionará a mesma sensação de descanso.” Em outras palavras, uma pílula vai substituir as horas de sono, dando ou homem mais tempo para aproveitar a vida.

Transporte – “O homem viverá no meio da natureza, não importa a que distância do local do trabalho, porque disporá de fáceis e velocíssimos meios de transporte. O ônibus aéreo, o aeroplano pessoal, levará uma senhora de sua casa na aldeira aos grandes armazéns situados a 500 quilômetros de distância e depois irá tomar chá em uma outra localidade, situada a 300 quilômetros mais ao norte, em uma confeitaria em moda.”

Férias – Em vez de alguma praia, um cruzeiro para a lua. Os fins-de-semana serão aproveitados para conhecer lugares espalhados pelo planeta.

Cidades – As grandes metrópoles deixarão de existir. O homem viverá no campo, em pequenas localidades.

Meio-ambiente – “Dentro de 50 anos as fábricas serão um modelo de higiene, de conforto e de bom gosto.”

Nova mentaliade – “O homem encontrará mais prazer em melhorar as condições de vida de cada ser humano que povoa o vasto mundo e não em destruí-lo”.

Diversão -  “O passtempo preferido será o ‘telesen’. Calcula-se que o homem do ano 2000 passará umas cinco horas diárias diante de seu telesen, aparelho que substituirá o cinema, o teatro, o rádio e a televisão… O telesen será um aparelho muito especial. Bastará apertar-se uns tantos botões para que em frente dele se comece a viver um intenso mundo de ficção. Não só  poderá ouvir-se vozes e cantos, não só perceber-se-á o relevo dos corpos, como também poder-se-á perceber perfumes e odores, e tudo terá a sensação de uma cousa viva.”

Que tal?


Desempenho pífio

Agosto 21, 2008

Duas medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze. Desempenho que, se fosse de um país, o colocaria na 23ª posição, logo atrás de Cuba (2 ouros, 6 pratas e 6 bronzes).

Os números acima representam a soma do que os 10 países sul-americanos conseguiram até agora nos Jogos de Pequim. Isso mesmo. Tudo o que Brasil, Argentina e os demais conquistaram até agora foram 16 medalhas.

O Brasil, de longe a maior economia da região, está se saindo menos mal, com um ouro, duas pratas e cinco bronzes. Ocupa a 33ª colocação. A Argentina está em 44º, com um ouro e dois bronzes. Depois, aparecem Colômbia (57º), Chile, Equador (62º) e Venezuela (72º). Os demais ainda não subiram no pódio.

É um desempenho pífio. Pior até do que a performance do continente africano, que já soma sete ouros (dois do Quênia e Etiópia, e um de Zimbábue, Camarões e Tunísia).

Qual a causa dessa escassez de medalhas olímpicas?


Surpresa e decepção

Agosto 21, 2008

Qual a maior surpresa e maior decepção desses jogos olimpícos?

A surpresa: a Jamaica. Alguém pode citar a China, que supera os Estados Unidos no quadro de medalhas com larga vantagem no Ouro (46 a 27), mas acho que a ascensão do gigante asiático era esperada. A Jamaica não.  O minúsculo país do Caribe, com uma população de 2,6 milhões de habitantes, já amealhou nove medalhas nos Jogos de Pequim: cinco de ouro, três de prata e uma de bronze. Se o Brasil não surpreender nos últimos dias, corre o sério risco de ficar atrás da Jamaica. Todas as medalhas, vale salientar, vieram do atletismo, duas delas com o imbatível Usain Bolt.

A maior decepção: os Estados Unidos. O Brasil até pode ser candidato a decepção, mas vale lembrar que o país nunca se destacou muito em Olimpíadas. Os Estados Unidos não. Foram os senhores dos Jogos após a queda do comunismo na União Soviética e, antes do começo das competições em Pequim, ninguém duvidava que o país fosse liderar o quadro de medalhas. Mas os norte-americanos fracassaram. Viraram coadjuvantes em esportes que dominavam, como o atletismo (só quatro ouros, contra cinco da Jamaica, por exemplo).

A exceção dos Estados Unidos nestes Jogos é a natação. Foram 30 medalhas, 11 de ouro (oito só com Michael Phelps), nove de prata e 10 de bronze.

A dúvida: vem aí um domínio chinês?