Call center em dois minutos

Julho 31, 2008

O governo decidiu disciplinar os call centers, limitando em dois minutos o tempo para atender o cliente. Vai funcionar? Talvez, mas apenas parcialmente.

Por que? Porque o problema não é apenas atender a pessoa em dois minutos, mas sujeitá-lo ao transfere para cá, transfere para lá, com a famosa queda da ligação, a desculpa de que o sistema está fora do ar, etc.. Isso é uma coisa mais difícil de disciplinar do que o limite de dois minutos para o atendimento.

Mesmo assim, não deixa de ser um avanço. É o primeiro passo, mas o caminho a ser percorrido é bem grande.

Lembro de que, no ano passado, decidi cancelar um cartão de crédito, após um problema de uma cobrança indevida. Passei quase uma hora, realizei três ou quatro ligações e só consegui porque fui insistente e não aceitei nenhum argumento sobre as tais vantagens do cartão. É um absurdo, mas é uma realidade com a qual o brasileiro convive faz tempo.


O sono dos genocidas

Julho 30, 2008

É uma pergunta que me acompanha: como essa gente consegue dormir?

Quando menciono “essa gente”, me refiro a pessoas como Radovan Karadzic, o sérvio acusado pelo massacre de Srebrenica, no Bósnia, na qual cerca de 8 mil pessoas foram mortas diariamente. Karadzic não é o único, há outros nesta lista bastante extensa, mas é um nome recorrente. Além de estar envolvido nesse massacre, o general sérvio teve participação direta no cerco a Sarajevo, também nos anos 90.

Karadzic esteve diretamente ligado a esses atos. Foi protagonista. Ele estava no comando, deu as ordens que acabaram com a vida de milhares de pessoas.

Mesmo assim, a imagem que esse senhor passa é de alguém que tem noites de sono tranqüilas. Sua vida parece a de alguém em paz consigo, sem remorços, sem grandes culpas. Há inúmeros indícios de que ele levou uma vida bem tranqüila nesses últimos anos, como uma pessoa comum, trabalhando como médico e escrevendo poesias. Não há um sinal sequer que os crimes cometidos no passado o tenham atormentado, causando-lhe algum sofrimento.

É provável que, não fosse preso, Karadzic caminharia rumo a um final parecido a de vários nazistas. Hoje já não são tantos assim por aí, até porque a Segunda Guerra Mundial terminou a 63 anos – não há mais generais a procurar, apenas soldados, cabos, tenentes, coadjuvantes naquela guerra. Mas lembro que, ali pelos anos 80 e 90, volta e meia saía a notícia da morte de um nazista graúdo. Sempre bem velhinho, depois de anos levando uma vida aparentemente tranqüila em algum recanto da América do Sul. Nenhum deles me pareceu atormentado pelos horrores cometidos no passado.

Como essa gente consegue dormir de forma tão tranqüila? Será que eles julgam ter realizado algun bem à humanidade? Ou não será que, por suas convicções, eles não cometeram essas atrocidades contra pessoas, mas contra inimigos diabólicos sem rostos.

Lembro que, durante a Guerra Fria, era comum cada lado pintar o outro como o diabo, embora, em seu dia-a-dia, os moradores dos Estados Unidos e da Rússia, mesmo no ápice da rivalidade, realizassem coisas semelhantes: ambos trabalhavam, estudavam, realizavam compras, tinham problemas com vizinhos, festejavam aniversários, assistiam a televisão, ouviam música, saíam a passear pelo parque, tomavam bebidas alcoólicas, namoravam, casavam, tinham filhos, festejavam seus heróis, choravam por seus mortos, tinham sonhos, temores, etc..

Mas os genocidas do século 20, desconfio, jamais viram o mundo dessa forma. O adversário nunca foi adversário, sempre foi inimigo, alguém que merece ser morto, aniquilado. O outro sempre foi alguém distante e desconhecido, alguém diferente, alguém não-gente.

Por isso, desconfio, pessoas como Karadzic, generais nazistas, os senhores da guerra que ocupam a presidência de países poderosos jamais perderam noites de sono.

E vão continuar a dormir livres de pesadelos.


Desmatamento da Amazônia

Julho 29, 2008

O tempo que você leva para ler esse post uma área da tamanho equivalente a um campo de futebol terá sido desmatada na Amazônia. Apesar das dimensões da região, é um tamanho considerável.

O dado se refere ao mês de junho e foi levantado pelo Imazon, instituto de pesquina não-governamental que estuda a Floresta Amazônica. Segundo a ONG, foram 612 quilômetros quadrados desmatados no mês de junho. É mais do que um terço da área de Caxias do Sul – cerca de 1,6 mil quilômetros quadrados – ou quase duas Farroupilhas – 359 quilômetros quadrados.

O desmate, segundo o Imazon, foi 23% maior do que o registrado no mesmo período de 2007, quando 499 quilômetros quadrados foram desmatados.

A reportagem completa pode ser lida aqui.

Conclusão: ainda cuidamos muito mal do meio ambiente. Em vez de discussões sérias, preferimos ficar atados ao número 630. Não para preservar o meio ambiente, mas para fazer política.


Cadê a estrutura moral?

Julho 29, 2008

Thomas L. Friedman é um badalado colunista do New York Times, autor de livros como o “Mundo é Plano”. Seus textos saem em várias partes do mundo – aqui no Brasil, é possível ler seus textos traduzidos no UOL.  É da turma de ponta do NY Times.

Há 12 dias, ele escreveu o artigo “Tão popular e sem estrutura moral“, numa referência à Rússia e à China. No texto, ele ataca os dois países por não apoiarem ações mais duras contra o regime de Mugabe, no Zimbábue. No final, após admitir a perda de popularidade dos Estados Unidos no planeta, ele afirma:

“Não somos perfeitos, mas os Estados Unidos ainda têm alguma estrutura moral. Há farsas que nós não toleraremos. A votação da ONU sobre o Zimbábue demonstra que isto não ocorre quando se trata desses países “populares” – chamados Rússia, China ou África do Sul – que não vêem problema em ficarem do lado de um homem que está pulverizando o seu próprio povo.”

Cabe, contudo, um questionamento a Thomas Friedman: qual é a estrutura moral dos Estados Unidos?

Não vou defender Rússia, China ou África do Sul – até porque a posição desses países no episódio merece críticas e é perfeitamente condenável -, mas a falta de moral de um país não dá estrutura moral a outro país. O pecado de um não não significa que o outro não seja pecador.

Friedman certamente filtra as informações que recebe e seleciona as que lhe interessam. Talvez se ele pessasse Guantánamo ou Abu Ghraib ele não falaria em estrutura moral. E muito menos se ele fosse ler essa matéria publicada pela jornal espanhol El País, com o título “CIA cria um limbo para prisioneiros no mar“. O texto relata a existência de barcos em alto mar com prisioneiros, ou prisões flutuantes, onde os presos não têm direitos, sequer existem.

Nessas prisões flutuantes, os presos são submetidos a interrogatórios e a práticas de tortura, de acordo com o texto. Não há a quem recorrer, diferentemente de Guantánamo, onde a Cruz Vermelha tem algum acesso. Ali é o mundo do terror do combate ao terror pelo país que Friedman considera ter “estrutura moral”.


Polícia sem juízo

Julho 28, 2008

Polícia é igual em todo o mundo. Claro, há algumas exceções, como em alguns países europeus (Dinamarca, Suécia, Finlândia), no Japão e Canadá, mas acaba por aí. De resto, a polícia é merecedora dos piores adjetivos possíveis. Segue a linha do “atira primeiro, pergunta depois”.

Neste final de semana, uma cena comum no país tupininquim se repetiu nos Estados Unidos, matando um brasileiro. Ele estaria fumando um cigarro de maconha e teria, sempre segundo a polícia, tentado escapar de um blitz.  Para confiar na versão polícia é preciso ser um pouco “velhinha de Taubaté”.

O caso lembra um pouco o brasileiro morto pela polícia de Londres, supostamente por ser terrorista. A polícia até buscou fabricar um fato, dizendo que o brasileiro teria tentado fugir, mas a mentira logo caiu por pé porque os jornais ficaram em cima. Os policiais simplesmente executaram o brasileiro.

Nos Estados Unidos, não deve ocorrer a mesma coisa, apesar de todos os indícios de que a polícia atirou quando não precisava.

Aliás, atirar antes e perguntar depois é a regra policial. Aqui no Brasil, nos Estados Unidos e numa série de países. Ou seja, não basta se preocupar com o bandido, é preciso temer o policial também.

Do jeito que está, é difícil saber o que é mais perigoso.


A beleza dos patos

Julho 27, 2008

Fotos tiradas no Lago Negro, em Gramado, neste domingo cinzento. Espero que gostem.


Sem Arquivo X

Julho 26, 2008

Estava aguardando, com certa ansiedade, a estréia de Arquivo X – Eu Quero Acreditar, o novo filme baseado no seriado clássico de TV nos anos 90. Mas o filme, com estréia nacional, não chegou a Caxias do Sul. Infelizmente.

Volta e meia isso se repete. Há filmes, normalmente blockbusters, que chegam à cidade no lançamento tupininquim. Outros não. E aí, só Deus sabe.

Espero que chegue no próximo final de semana.

Quais são minhas chances?


O jornalismo briga com os números

Julho 25, 2008

Jornalista não se dá bem com números, diz um ditado.

Um exemplo dessa máxima está no Pioneiro desta sexta-feira.  Com o título “Hugo Chável para para influenciar políticas”, a nota afirma que o presidente venezuelano teria destinado US$ 33 bilhões para influenciar na política de país latinos americanos. Os dados seriam do Institute for Global Economic Growth.

O problema é que o número é absurdamente alto, fora da realidade.  A cifra de US$ 33 bilhões representa 10% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas de um país) do país – US$ 335 bilhões em 2007.

A influência se daria na forma de contribuições para campanhas eleitorais em vários países e no apoio a grupos armados como as Farcs, ETA, Hamas, Hisbolah,

Das duas, uma. Ou o jornal trocou milhões por bilhões, ou o tal instituto norte-americano fez um chute e acertou as nuvens.


O frio voltou

Julho 24, 2008

Após três semanas de “quase calor”, o frio retornou à Serra Gaúcha. A promessa é de geada nesta sexta-feira pela manhã, mas não me parece para tanto. Se for, vai ser algo tímido, um arremedo de geada.

Mas o frio, informam os sites de previsão de tempo, não deve se estender por muito tempo. No final de semana, vem a chuva e a temperatura volta a  subir.

Assim, o inverno de 2008, já anunciado como o mais frio há pouco mais de um mês (a previsão, mais tarde, foi revista), vai passando rapidamente. Melhor assim. Porque o frio, com essa umidade toda e a falta de infra-estrutura (não temos nessa região calefação), é uma importunição. Incomoda, principalmente quando é preciso levantar cedo, sair ao amanhecer e realizar trabalhos na rua.

Apesar disso, gosto do frio e, especialmente, de lugares gelados.  Uma parte dos meus sonhos é conhecer lugares gelados, como a Patagônia, o Canadá, os países nórdicos e, se um dia Deus me der esse presente, o lago Baikal, na Sibéria.


Frases interessantes

Julho 22, 2008

Algumas frases interessantes do site Ócio Criativo, que recebe diariamente no meu e-mail.

Qualquer tolo pode saber. O problema é compreender.”

Albert Einstein

“Aqueles que confiam em nós, nos educam.”

– T. S. Eliot

“Aquele que não consegue perdoar quebra a ponte sobre a qual ele mesmo deve passar.”

– George Herbert

“A única coisa que se coloca entre um homem e o que ele quer na vida é normalmente meramente a vontade de tentar e a fé para acreditar que aquilo é possível.”

– Richard M. Devos

“Infortúnios são como facas que nos servem ou nos cortam dependendo se as seguramos pela lâmina ou pelo cabo.”

– James Russell Lowell

“Não conseguimos segurar uma tocha para iluminar o caminho de outra pessoa, sem clarearmos o nosso próprio.”

– BEN SWEETLAND


A opção pela punição

Julho 22, 2008

Parece que no Brasil, para atacar qualquer problema, a única opção passou a ser a punição. Nada de programas de conscientização, de tentar resolver o problema por meio da educação. O negócio é punir, é multar as pessoas, tirar o dinheiro das pessoas. Ou melhor, o negócio é faturar.

Depois da Lei Seca – com todos os seus exageros ao equiparar quem toma duas cervejinhas com toma um litro de cachaça e obrigar a pessoa a produzir provas contra, o que é inconstitucional -, o governo defende agora o aumento das multas. Mais, pretende torná-las mais severas.

Isso não acontece apenas no trânsito, mas é nessa área que isso fica mais evidente. Temos um ministro fanfarrão, que adora a mídia e falar bobagens e que, num futuro próximo, deve ser candidato a alguma coisa. Pior, essas coisas vem de cima para baixo, não são discutidas. Por que a discussão não interessa a essas pessoas.

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Para piorar, a mídia nacional é guiada pela cegueira.  A grande mídia prefere meias-verdades, que também são meias-mentiras, do que investigar.

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Enquanto isso, pessoas morrem. Só nessa madrugada foram 13 mortes no Rio Grande do Sul, vítimas da falta de investimentos nas nossas estradas sucateadas.

Mas o governo, como que querendo retirar sua responsabilidade de toda essa carnifica, joga tudo nas costas dos motoristas.

Assim como a nossa mídia. Que não é bem “nossa”.


Foto com o prefeito

Julho 21, 2008

Na foto acima, duas colegas de trabalho, a Daiane e a Caroline, com o prefeito José Ivo Sartori. Foi tirada sábado, no final do evento realizado na Colégio Madre Emilda.


Vídeo da tragédia palestina

Julho 21, 2008

O vídeo acima mostra a tragédia pelo qual passam os palestinos, submetidos a uma cruel dominação por parte dos israelenses, com o apoio dos Estados Unidos.

Nele, um soldado atira na perna de um palestino, que está de pé, com os olhos vendados e as mãos amarradas. Interessante é ver que, depois do tiro, os soldados mantém toda a calma, como se nada tivesse acontecido ou como se fosse uma cena corriqueira.


O comentário de Amorim

Julho 21, 2008

Ao falar sobre a reunião da Organização Mundial do Comércio que discutirá os subsíduos agrícolas, Celso Amorin, o ministro de Relações Exteriores do governo Lula, citou o chefão da propaganda nazista, Goebels, que dizia: “Uma mentira repetida a exaustão se torna verdade”.

Para Amorin, é o que os países ricos fazem, ao repetirem a exaustão que já cederam um monte na questão dos subsídios agrícolas e que, agora, é a vez dos países pobres abrirem suas economias para os produtos industriais dos países ricos. Só que os países ricos não cederam quase nada, adotaram a política da embromação e da mentira. Dão quase nada e exigem muito.

Neste sentido, a frase de Amorin está correta. Pode ser dura, mas está calcada na realidade. E talvez por isso que tenha incomodado tanto os países ricos. Se fosse mentira, não haveria dano. Como ela retrata a realidade, os países ricos gritam, reclamam, choram, esperneam.

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Em tempo, a questão dos subsídios agrícolas é substancial para os países pobres. Como a maior parte desses países atrasados industrialmente vive dos produtos agrícolas, eles acabam atolados numa pobreza ainda maior porque os países ricos restringem o comércio desses itens. Com isso, eles não conseguem sair da pobreza nem se desenvolver. A situação, em vez de melhorar, só está piorando.

Ou se começa a ter uma política comercial mais justa ou a desigualdade no planeta só vai aumentar.  Os países ricos são os grandes vilões nesta disputa: ao defender com unhas e dentes seus interesses, acabam por piorar ainda mais a situações dos pobres.

É um tiro no pé. Porque, com essa política, cada vez mais pobres vão rumar para os paíes ricos, em busca de esperança.  Lá, não encontram a tal esperança, mas acabam por tirar o emprego e a tranquilidade dos “nativos brancos”.


Dependência da tecnologia

Julho 21, 2008

Deu problema na Internet hoje. Assino o serviço da Net, que ficou fora do ar entre às 14h e 21h30, mais ou menos. É chato, especialmente num domingo.

O problema mostra que estamos, cada vez mais, dependentes da tecnologia. Depois de nos acostumarmos a acessar a Internet a qualquer hora do dia, quando ficamos sem sentimos falta. Parece que, sem ela, carecemos de algo importante, que o dia está incompleto.

É perigoso isso. A tecnologia deveria ser um acessório, não uma ferramenta essencial.

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Outro ponto negativo da experiência: o péssimo atendimento da NET aos clientes nesta hora. Parece que tiram o telefone do gancho, para não dar satisfação ao cliente. É um desrespeito, mas não há nenhuma surpresa nisso.