O passado contra o futuro

Junho 5, 2008

O embate está definido: Barack Obama x John McCain.

É um confronto entre o velho, o passado, o nosso lado conservador, contra o novo, o futuro, o nosso lado inovador, progressita. É uma disputa interessante, que não se dá apenas no campo político; dá-se, também, no íntimo de cada um de nós em alguns momentos de nossas vidas.

Talvez Obama, o primeiro negro a ter chances de chegar à Casa Branca, e McCain, o ex-combatente do Vietnâ e torturado pelas forças inimigas, tenham até um discurso parecido no que se refere à economia norte-americana, à política externa, ao incondicional apoio a Israel, à demonização dos palestinos. Mas isso será coadjuvante nesta disputa.

McCain representa o passado, o velho que persiste em nós. O mundo que ele conheceu na maior parte de sua vida, e pelo qual ele lutou, não existe mais. É passado. O Vietnã é passado, o combate ao comunismo é passado, persistem apenas resquícios, como a desigualdade, a injustiça, a tortura, a ânsia de grupos retrógrados dividirem o mundo entre o bem e o mal. O mundo de McCain não existe mais, é apenas um retrato fotográfico em sépia.

Obama representa o futuro, o nosso lado inovador, sonhador, otimista e, vale dizer, ilusório de que podemos construir um mundo melhor com o sistema atual. Obama é pós-Martin Luther King, é pós-Bush e sua dualidade infantil e diabólica. Obama é complexo, misterioso, mas carismático, convincente tal um garoto de uma propaganda. Você sabe que ele é como uma ilusão, mas quem pode viver sem a ilusão de que o amanhã será melhor?

Quem vencerá essa disputa? O velho? O novo?