Fidel estava certo

O “comandante” Fidel Castro – ou ditador, segundo a mídia brasileira – escreveu há um ano artigo condenando a política de se produzir etanol como fonte alternativa de energia. Disse que essa política poderia elevar os preços dos alimentos e ampliar a fome entre as pessoas mais pobres. O texto pode ser aqui. O texto foi contestado pelo presidente Lula, que considerou o risco de o alimento virar combustível um mito. Jornais de vários países deram eco à declaração de Lula e, em editoriais ou artigos, endossaram a visa do presidente brasileiro.

Passou-se um ano, mais ou menos, e uma inflação incomum atingiu os alimentos no mercado internacional. Isso que a produção do etano ainda é incipiente, pequena em relação ao potencial. Mesmo assim, a maior demanda por produtos agrícolas elevou os preços e encareceu produtos básicos. Qual a tendência? A situação tende a piorar, com o aumento da demanda para o etanol.

Com medo de um reflexo maior nos preços, a ONU foi ao ataque contra o etanol. O suíço Jean Ziegler, relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, afirmou que a produção em massa de biocombustíveis representa um crime contra a humanidade por seu impacto nos preços mundiais dos alimentos.

Fidel Castro, infelizmente, tinha razão.

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